Mechapolis Capítulo XXV : Questões finais O fundador de um novo tempo, levando consigo suas questões, finalmente chegou ao fundo do oceano, lá, foi descoberta uma segunda torre, de arquitetura complexa e envergadura colossal. NET.Water enviou seus shark bots para facilitar nas pesquisas e deste modo, o local foi totalmente drenado, revelando mais uma intrigante peça desse quebra cabeça. O local mostrava-se imenso. Dispersando-se, cada mecha tomou um caminho. Depois de muito andar em busca dos sistemas, Merejo encontrou um painel com a imagem de Mechapolis esculpida na pedra. Maximillian, ao ficar de frente para aquela imagem, tocou-a inadvertidamente e, dessa forma, sua memória recebeu antigas informações... Torre -Maximillian?... Orm aproximou-se do fundador. -Sempre acreditei em seus sonhos, Maximillian. Qual a revelação dessa vez? Assim dizendo, o fundador voltou sua atenção para aquele local, parecendo buscar algo ou um sinal. Maximillian apressadamente vasculhava as paredes. -Mechalions... preciso de sua ajuda. Orm examinou-a sem sair do lugar enquanto Urd preparava seu sistema. -O.M.N.I.S.? A nave escuta o som da forte explosão vinda da torre. O.M.N.I.S. fica espantada e retoma a comunicação... -Não entendi! Por favor, repita o nome da mente, fundador! Prontamente a nave começa a preparar os dados e entra em contato com Mechapolis. No centro de comando, Ed está à frente das telas. Mechapolis, Centro de Comando -alguém na escuta? A comunicação recebe outro canal de voz. Arman dizendo: -Ed, acessando os níveis de informação depois da ID1092 encontrará as mentes
de antigos mechas... Considerare levanta-se e vai até outra parte da sala onde começa a digitar os códigos. -Estou compreendo o que Maximillian deseja fazer, Arman. A mente de Ormacimus é capaz e decodificar o sistema daquela torre. O.M.N.I.S.! Prepare-se para receber os dados! Imediatamente, os dados são enviados para a nave que os transfere para uma caixa de armazenagem e um shark bot está ali aguardando: assim que se conclui, ele adentra a torre levando a pequena caixa. Laboratório 22. Caligaria prosseguia com a idéia de atualizar seu sistema e os técnicos -Reveja os conceitos, senhora. Caligaria cruza os braços. -Exijo essa atualização ou terei de começar a liquidar mechas, desde agora! Uma das telas é ativada, mostrando Dankhan. -Dankhan, por favor, diga-lhes o que devem fazer! Todos os presentes aceitam aquelas ordens e começam a trabalhar em Caligaria. -Cada um de nós luta a seu modo... pensa Dankhan olhando pela tela e observando a calma de Caligaria. Torre A poeira ainda estava baixando, Maximillian, seguido por King Merejo e os mechalions, adentra o local, que está às escuras. Os shark bots usam iluminação extra. -Poucos lugares conseguiram me intimidar... este é um deles, irmão! Merejo ouvindo a conversa dos gêmeos do tempo, prossegue mudando seu modo O envelhecido maquinário conservara-se livre da influência do oceano, com centenas de fios interligados por outras tantas conecções. Esse sistema residia sob duas abóbadas: a maior contendo um pequeno gerador e a menor, no topo, onde se encontravam o início e o fim de todos aqueles cabos. A pequena abóbada, com suas transparências, mostrava-se intrigante. Ao chegar diante da grande máquina, Maximillian começou a analisar as condições que o cercava. -Ironicamente, a mesma arma que ceifou as esperanças de uma raça, hoje nos salvará... disse Maximillian olhando para aquela lança. Os mechalions continuaram observando. -Eis a lança de Moar! Hoje, volto a saber o seu nome e recordo-me de outras épocas o que me confere a certeza de ser o último tempo. Afirmava o fundador. O grupo andava, determinado a descobrir a razão daquelas palavras. Então, Maximillian parou diante dos sistemas, empunhou a lança e fincou-a, acionando o gerador: a sala encheu-se de luz e tudo começou a operar. Subitamente um shark bot adentra a câmara trazendo consigo a caixa de armazenagem: os mechalions ficam ansiosos e Merejo apenas espera. -Senhor! Aqui está contida a mente de Ormacimus! Maximillian toma em suas mãos aquela caixa e fica diante do maquinário, ele coloca a caixa sobre o sistema: abrindo-a, remove os cabos e começa a conectar ao painel recém-descoberto. -Qual é a idéia, fundador? Nesse ponto, o fundador conclui a ligação de todos os plugs ao maquinário e, em resposta, a mente de Ormacimus interage com a torre, acionando a fonte para os reatores do subsolo começarem a trabalhar. -Porque eu, Ormacimus, não permiti o meu retorno... Urd! Todos voltam a atenção para a grande tela onde aparece um rosto quase esquecido: o de Ormacimus. -Meu objetivo terminou no dia em que fui soterrado. Carreguei comigo a mente do fundador, que foi entregue a mim por um antigo pilar. Também tive a missão de levar o nosso povo para um lugar seguro e isso foi feito. A partir do meu desligamento, recaíram sobre os ombros desse mecha que chamei de filho, as ações mais cruéis... O fundador está atento às palavras de Ormacimus. -Feito isso, afirmo que Maximillian trilhou bravamente o caminho do dever, superou o remorso e a minha ausência, além de liderar serenamente o nosso povo. Agora, devo contribuir para resguardar o seu sonho. Mechapolis, Centro de Comando. Considerare e Ed continuam acompanhando os cálculos que Mechapolis envia. Dankhan está diante das janelas observando o céu, tão estrelado. -Algo está acontecendo de diferente, Considerare. Avisa Ed. Subitamente, um clarão ofusca a todos no planeta. Os sistemas da cidade tentam identificar o acontecido. Dankhan, mudando a configuração do seu visor, descobre do que realmente é constituída a mancha. -Ed, eles chegaram! Terminando sua frase, Dankhan olha para o alto, com acuidade. -São trinta grandes naves, Dankhan! Uma armada com alto poder de fogo! Estão
manobrando agora para assumir uma posição estratégica! As portas são abertas e Amon chega ao centro de comando. -Todos os mechapolitanos foram para os abrigos, Dankhan! Centenas de War Robots
estão circundando o perímetro! O valente escudeiro vai até a janela e fica estarrecido. -São naves?!? Deserto Argumentum observa a parada total daquela armada. Maitrec senta-se a seu lado e guarda um silêncio profundo. -Eles voltaram... como foi prometido um dia... a ganância de Obluctor retornaria
a este planeta, Maitrec! Maitrec teve sua frase cortada pelas centenas de disparos vindos das naves. Argumentum dobrou suas forças e, assim, pôde resistir ao ataque. Sua imensa barreira de energia não foi afetada contudo ela sentiu suas forças serem drenadas. -Mesmo sendo a dama do tempo, acredito que o próprio tempo, não nos deixará agora... Torre Todos são surpreendidos com os abalos que a torre começa a sofrer. O fundador tenta entender o que acontece e Ormacimus volta a falar. -Maximillian! Neste momento, nossos algozes estão atacando o planeta! Nós, que um dia fomos deixados para trás, condenados a viver com parcos recursos e, quem sabe até, deixar de existir, conseguimos não só sobreviver como atingir grande desenvolvimento. Maximillian permanece ouvindo a conversa. -Agora eu não disponho de tempo para detalhar as outras adversas circunstâncias. Devemos apressar-nos! Continuava falando Ormacimus. Merejo aproximou-se da tela. -Titã dos oceanos, cresci ouvindo suas lendas, sua imensa capacidade e seu poder de resistência! Hoje, vendo os dois aqui, nesta torre, consigo acreditar na remota chance... O velho conselheiro adentra a câmara e avista Ormacimus. -Quanto tempo, Arman! Todos os mechas ficam lado a lado. -Arman, presente do oceano, necessito da informação que reside em sua memória
secundária. O conselheiro ficou diante do sistema e conectou sua mente ao maquinário. -Titã Merejo! A pequena abóbada foi aberta e Merejo removeu sua coroa, depositando-a ali. -E nós, Ormacimus? Do alto, desceu uma coluna de vidro com vários espelhos em seu interior. -Preparem seu sistema e soltem o rosnado mais intimidador possível, dessa forma
despertarão o objetivo desta torre. Todos se posicionaram. -Que o último tempo chegue! Acorda terceiro pilar! A lança de Moar prontamente ativou o sistema e da mente do velho conselheiro veio a informação que decodificou a coroa, donde saiu a última parte do longo código que passava na tela. -Agora é com vocês, Mechalions! Nesse momento, os gêmeos do tempo soltaram um imenso rosnado, disparando uma possante rajada de energia naqueles espelhos. Cada um deles absorvia um pouco da maciça onda e, no alto da torre, o maior deles apontava para seu alvo. Mechapolis A armada, intempestivamente, suspendeu o ataque. Ed, firme como uma rocha, continuava a análise daquele padrão de movimento, coisa que não deixou de intrigá-lo. Enquanto Dankhan virava as costas para a janela, um imenso feixe de energia brotou do oceano, subindo em grande velocidade. Maitrec acompanhou o feixe. Espaço A energia deixava o planeta e colidia espetacularmente com a terceira grande lua do planeta. Isso desencadeou uma reação sem precedentes. Em Mechapolis, Ed, de tão surpreso quase caiu de sua cadeirinha, quando recebeu os dados. -A lua!!! A lua!! Gaguejava Ed. Numa das telas, aquela imagem, submetida a um poderoso scanner, revelou a todos um conteúdo mais que surpreendente. -Isso... mas isso, Ed! Algo deve estar errado!! Gritou Amon. Espaço, terceira lua A lua continuava a sofrer abalos ainda mais profundos. A poeira espacial ali depositada movia-se, revelando lentamente uma imensa esfera de aço, com um complexo sistema de travas e amarras o qual impedia a liberação do que quer que fosse o seu conteúdo. Impiedosamenete a armada mudava seu alvo e começava a disparar contra a esfera de aço. Seus projéteis atingiam a couraça, causando danos em todos os níveis. No deserto, a dama do tempo está aflita: -Não!! Deixem-no!!! Mas as travas já começavam a se abrir, as amarras a se romper e as placas que eram soldadas, empurradas. Uma força de dentro para fora desejava sair. As naves dispararam sem trégua contra o planeta e a esfera de aço. Surpreendentemente, cessam o ataque. Mechapolis, Centro de Comando. -Mudando o padrão, posso rastrear a energia que está saindo daquela lua! Falava Amon. Ed fica em silêncio. -O que aconteceu, caramujo? De pronto, Amon olhou para a tela e o que viu era aterrorizante. -Verdade! Tem algo lá dentro! Isso não é uma lua!! Disse Amon, assustado. No espaço, a armada volta a mover-se. -Algo acontece nesse palco! Falava Amon. Dankhan observa que as naves começam a mover-se, mudando de estratégia e deixando entrever uma grande nave que ainda não era visível por todos em Mechapolis. Uma nave em formato diferente das outras. -Eles tem um canhão!!! Dankhan apontava para o céu. Deserto -Sempre tiveram mais poder bélico, mas nós temos... ele... Falava a dama do tempo sentindo a energia de sua ampulheta se esvaindo. Espaço Após o rompimento de amarras e lacres, aquela lua dividia-se em quatro grandes placas, que logo ganharam o espaço, para revelar um novo mecha oculto pelo tempo. A armada prontamente mudava sua rota, abrindo passagem para uma grande nave canhão. Ao concluir esse movimento, todas as naves acionam suas defesas e aguardam novas ordens. O grande ser lentamente foi estendendo pernas e braços. De suas costas surgiram asas, que de tão grandes, poderiam cobrir o planeta. Trazia na face uma expressão de rancor que fazia a armada recuar, amedrontada. O ser voltava a ficar em pé, diante de seu planeta. Seu semblante revelou-se. Sua face, totalmente esquecida de qualquer registro mas, ainda assim, é bela sob o olhar de todos. Enfim, suas asas se arquearam para defender o planeta e seus ocupantes. Aquele mecha permaneceu entre o planeta e a armada, tomando sua posição naquela guerra. sua imagem é visível desde o centro de comando, passando pelo deserto que recordava sua ferocidade, a planície que apenas o olhava e o oceano que o saudava: tão majestosa era sua estrutura! Um verdadeiro gigante mecha! Suas cores, ainda escurecidas, já íam ganhando várias tonalidades o que reforçava mais quem era e o que representava para Mechapolis. Agora é a vez de sua voz ser ouvida depois de tanto tempo. Tão
onipotente que fez o solo tremer com os primeiros sons. Todos os sistemas
pareciam enlouquecidos. Ed ficou amedrontado quando ouviu algo tão forte.
A própria Armada foi empurrada com a força de uma simples palavra. Então, -Eu sou Concludere! Alterando sua posição, ele intimida os adversários. -É chegada a minha hora! Esta é a minha vez de servir! Finalmente, posso dizer que não vou admitir esse sofrimento para meus semelhantes! Jamais aceitei o que vocês fizeram conosco! Revoltei-me contra a ganância de Obluctor, com todas as minhas forças! E vocês? O que fizeram comigo?... Então, ele começou a estender seu braço e cerrar seu punho. -Tiveram de usar falsos recursos para poder me vencer! Em seguida, todos colaboraram para recompor a minha estrutura, a fim de que eu fosse transformado numa última arma, a mais poderosa e terrível, a força máxima, o marco de sua evolução! Concludere termina de cerrar os punhos. -E depois de tudo isso, ainda não satisfeitos, confinaram-me aqui, bem longe de todos aos quais amei e respeitei! Enviado ao espaço infinito, numa prisão de pensamentos que me foi imposta como pena, por todos os meus atos que vocês classificaram como crimes! Maitrec levanta-se, aproximando-se de Argumentum. Oceano. O.M.N.I.S. sai das águas e Maximillian observa o que acontece no espaço. Arman e os mechalions também compreendem o que aconteceu após a torre liberar aquela imensa energia. -O terceiro pilar está diante de uma frota de naves, fundador! Arman continuou pilotando, Maximillian pediu-lhe que o pouso fosse um pouco antes de Mechapolis. O.M.N.I.S. pousada e, logo, todos desceram da nave olhando para o alto. Espaço. -Aprendi a viver com um mínimo de recursos para poder continuar resistindo à pena que foi imposta a minha mente. Mantive a razão para resguardar os meus ideais mas sacrifiquei meu sistema e minha estrutura... O terceiro pilar baixou seu braço. -Não houve um único dia, em que não tenha desejado retornar ao meu planeta. Mas, sem forças, não tive como abrir as travas. Enfim, mudaram toda a minha vida e minha estrutura... nem assim, conseguiram vencer a minha real essência: O terceiro pilar de um novo tempo, Concludere!... Ele volta sua atenção para o planeta. -Logo eu que apenas desejei viver em paz... Concludere, do espaço, avista a ampulheta e, em seguida, a vê... -Meu amado, Concludere! Depois de tanto tempo, posso vê-lo e também saber o
que fizeram com você. Acessando seu próprio sistema, Concludere identifica as inúmeras falhas e a total escassez de energia presente. O grande pilar continuou olhando o planeta e logo identificou Mechapolis. -O sonho do fundador é esplêndido daqui deste ponto. Mechapolis! Alguém na escuta? Centro de comando. -Fale, Concludere! Eu sou Dankhan! Já estou a ouvi-lo, desde o começo. Dankhan olha em volta e não encontra Considerare. -Onde está o primeiro pilar, Ed? Portões do leste Considerare deixou a cidade. Correndo pela planície, mesmo sem ter noção do perigo que o espreitava do espaço. Foi avistado por Concludere. -Considerare?!?! E a armada também registrou sua presença em seus sistemas. -O.M.N.I.S.! Vamos decolar! Devemos alcançar a torre congelada para... Sua frase foi cortada pois sentiu seu sistema ser profundamente atingindo. Uma ordem antiga e desconhecida, guardada em sua memória secundária, estava sendo requisitada. O pilar parou de correr e ficou em silêncio. -Considerare!! Retorne a sua dimensão!!! Pedia Concludere sofregamente. Nem mesmo as palavras do grande pilar mudavam algo na mente de Considerare que permaneceu ali, estarrecido, até finalmente conseguir falar outra vez. -Urd... por favor... Nisso o planeta inteiro sofreu um forte abalo, seguido de grande terremoto. O solo começou a rachar, as águas do oceano tornaram-se crispadas gerando grandes ondas. Até mesmo Argumentum perdia o equilibrio. Maitrec segurou a base da ampulheta mas vendo que seria impossível manter a segurança da dama do tempo, fez o incrível: ergueu a ampulheta e Argumentum, ao mesmo tempo. -Maitrec, o que pensa fazer?!?! A dama do tempo compreendeu as palavras de seu guardião e concentrou a força de sua mente naquela imensa barreira. Mechapolis. A partir das janelas do Centro de Comando, Dankhan, Amon e Ed estavam sendo testemunhas de um horrendo espetáculo: Mechapolis sofrendo um colapso! Suas altas construções eram resistentes à chuva ou à maresia e sempre ficaram de pé diante dos ventos sorrateiros.Entretando, aquele terremoto estava destruindo suas bases, levando o sonho do fundador a desmoronar. -O Centro não vai resistir muito mais! Disse Ed. Prontamente o jovem saltou dos estilhaçados peitoris para o edifício vizinho e, assim, sucessivamente ele continuava sua fuga, feita de grandes saltos. -Precisamos chegar às ruas, Dankhan! Ed continuava segurando firme, enquanto Amon confiava apenas na coragem de seu velho amigo. Dankhan, pela segunda vez, usava as capacidades daquela estrutura: as fortes pernas davam a estabilidade e o empuxo necessários para os saltos. -Consigo ver as muralhas! Afirmava o caramujo. Enquanto isso, na planície, o fundador ficava desolado vendo o seu amado projeto desaparecer lentamente. Arman já estava caído e os mechalions tentavam manter os sistemas sem avarias. Um terremoto sempre foi impiedoso. Nesse momento, Urd compreendeu as palavras do primeiro pilar. O mechalion superou suas dificuldades e soltando um imenso rugido, eliminava Considerare. Arman e Maximillian ficaram estarrecidos com a forte explosão provocada pelo disparo certeiro do mechalion. O terremoto enfraquecia e em alguns poucos segundos parava de vez. Dankhan, carregando seus amigos, saltava do alto das muralhas que já começavam a desmoronar, sendo a última estrutura de Mechapolis a desabar. O fundador baixou a cabeça e guardou sua tristeza quando viu seu filho trazendo Amon e Ed salvos. -Mechapolis não resistiu! Mesmo assim, não me abato! Sei que não perdemos
nenhum mechapolitano, Arman! O caramujo tentou resistir, mas logo chorava, deixando o fundador assustado. -O que aconteceu!? Fale Amon! Dankhan! Ed! Pedia Maximillian. Maximillian rapidamente voltou sua atenção para as ruínas e, em seguida, para Argumentum que estava sendo baixada por Maitrec. -Perdemos, Caligaria? Questionava Maximillian. Orm deixou todos para trás e andou ferozmente diante da dor. -Mesmo sendo impossibilitado de ir ao espaço, não deixarei impune essa perda! Vingarei Caligaria e o sonho do fundador!! Pronunciou-se Orm. Maximillian tentou impedi-lo, mas o mechalion ignorou suas ordens e continuou andando. -Urd... adeus irmão... adeus a todos... cumpro o destino do incitador... Dizendo isso, o mechalion acionou seu sistema, concentrando sua energia num único ataque. Bravamente intimidava toda a planície com seu rosnado, seguido de um feixe de luz que cruzava as distâncias, deixava o planeta e colidia com uma das naves, destruindo suas defesas e atravessando a couraça,fazendo-a explodir. Contudo, Orm não pôde ver o esplendor de seu ato, pois sua estrutura consumiu-se durante aquele ataque. Só os restos de um valente mecha descansavam na vasta planície... -Orm... até o fim, você levou adiante o fato de ser incitador! Dizia Maximillian. Enquanto isso, Concludere adentrava as defesas de Argumentum conferindo-lhe energia suficiente para se recuperar. Mudando seu sistema, ele iniciava o processo de absorver a energia pura do sol. -Cada um luta com as armas que conhece! Considerare tentou me ajudar ativando
a torre congelada, infelizmente ele não sabia que a torre pouco poderia fazer por
mim. Agora, esse valente mechalion abriu mão de sua vida, pelo sonho do fundador! Vendo seu irmão terminar sua existência e a armada mudar sua trajetória, Urd lembrou-se de Lionedes que combateu até o final, da mesma forma que Orm. -Mesmo sendo um mechalion das falésias, sempre acreditei no sonho do fundador... E dali mesmo, Urd, com seu sistema já pronto, fez o mesmo que seu irmão: intimidou a pradaria e soltou um de seus ataques mais devastadores, usando sua capacidade de prover energia sem recarga. Manteve-se firme e a energia gerado por seu disparo, rompeu barreiras e carcaças de três grandes naves, eliminando-as. O último mechalion silenciava. -Agora foi a vez de Urd, fundador! Dankhan olhou mais uma vez para as ruínas de Mechapolis e ficou ao lado de sua nave. -Obrigado, O.M.N.I.S.! O jovem voltou a andar. -Pai, Ed, Amon, Arman... também agradeço por vocês terem ajudado este Wild Mecha a ter um objetivo. Infelizmente não o encontrei e desde já proclamo que o meu objetivo será defender vocês... Ele continuou andando na direção oposta aos mechalions e depois apontou suas armas para o espaço. -Duvido que tenha a mesma capacidade dos mechalions, mas, como estou
impossibilitado de pilotar a minha nave, só me resta esta forma de lutar... O bravo piloto de Mechapolis olhou atentamente para o céu e disparou suas armas na máxima potência, deixando sua estrutura reduzida a pedaços; sua energia subiu e quando tocou uma das defesas, dispersou-a, sem danificar a nave. -Adeus, Dankhan! Obrigado! Num dia inesquecível para mim, recebí de você um objetivo melhor do que ser um caramujo eremita, que apenas comia e dormia! Obrigado, por me haver dado a chance de acompanhá-lo em suas viagens e, acima de tudo, obrigado por ter me respeitado, garoto! Falava Ed, enquanto suas lágrimas já eram visíveis. Maximillian escuta as palavras quase balbuciadas por Ed. -Devemos permanecer fortes e lutar de todas as formas para resguardar nossos
sonhos! Afirmava o fundador, mantendo sua cabeça baixa. Então, o fundador olhou para as ruínas de seu sonho e viu dali saírem centenas de guardas, todos danificados, deixando os escombros para voar até o espaço. -Eles não podem! Arman! Impeça-os! Implorava Maximillian. Um dos guardas aproximou-se de seu estimado líder. -Por que fazem isso, guardas? Suas estruturas não suportarão o vácuo e isso
os destruirá! O guarda voltou a voar, liderando aqueles outros tão valentes que sabiam apenas defender Mechapolis. Ao sair da proteção de Argumentum, suas estruturas explodiam em seguida, seus pedaços cintilavam com o clarão das explosões, formando um espetáculo de sofrimento. Uma chuva de aço despencou sobre o oceano e Maximillian ainda teve tempo e pediu que todos parassem, mas foi em vão. Os guardas continuaram numa rota fatal que os levava à eliminação. Alguns ainda resistiam mais tempo... outros, dizimados instantaneamente... o espetáculo durou até o desaparecimento do último... Deserto -Argumentum, preciso contar-lhe algo! O titã do tempo, guardião de Argumentum, foi interrompido: escombros atirados ao longe... um novo feixe de luz originando-se no solo atingia a nave que Dankhan acertara há poucos instantes. Concludere sentiu em sua memória uma antiga leitura. -Neo-X?... Para espanto de todos, aquelas asas prateadas estavam sendo abertas e Caligaria, mais uma vez, voava... -Ainda não me sinto vencida! Afirmava Caligaria. Os upgrades foram colocados a tempo. Ela fazia uma checagem de suas novas capacidades enquanto sobrevoava aquele campo. Do alto, avistava os restos dos mechalions e de Dankhan. -Obrigada pelo sacrifício de todos! Chegou a minha vez! Quero ajudar nesta batalha! Caligaria continuou voando até Argumentum. Ao chegar, tomou as mãos da dama do tempo. -Amada filha! Você retornou para nos ajudar! Alegria em dose dupla! Caligaria olha para o espaço e avista Concludere. -Enquanto estivermos juntos, unidos, seremos uma força imbatível! Cuide-se mãe! Argumentum sente as mãos de sua filha escorregando das suas e ela volta a voar. -Não morra, Caligaria! Maximillian recebeu novas leituras: milhões de War Robots deixam Sync-On e seguem Caligaria de perto. -Muito bem, garotos! Preparados para vencer? Enquanto Caligaria continua ganhando altitude, Amon resguarda seus sentimentos e quando foi correr, avistou o monarca de NET.Water deixando o oceano, seguido de uma frota de Shark Bots e, atrás deles, todos os habitantes de NET.Water. -Merejo? Maximillian volta sua atenção para o titã dos oceanos. Nesse momento, a armada abre fogo contra os War Robots e Caligaria. O céu se enche novamente de luz. -Nossa NET.Water também foi atingida, Maximillian! Merejo, observando o campo de batalha, compreende que Dankhan e os mechalions sacrificaram-se em combate. Mais adiante, uma multidão de mechas caminha, velozmente. -O seu povo também veio, fundador! Amon adentra a nave, assumindo a cadeira que tinha sido de Dankhan. -Vamos ao norte, O.M.N.I.S.! Amon golpeia o painel. -E o que devo fazer? Permanecer aqui? Aguardar o final de todos? Logo eu que
não tenho nenhum recurso para combater! Sinto-me um inútil!! Amon começou a assistir um vídeo no qual Dankhan estava presente. -"...sempre imaginei que o mais certo a fazer era deixar para você, Amon, esta nave. O.M.N.I.S. precisa um novo piloto e como não creio que voltarei a minha estrutura antiga, deixo para você, escudeiro de NET.Water, todo o conhecimento que D. e eu obtivemos! Use-o em prol de um novo tempo..." A tela escureceu e Amon ficou ali parado. -Entendeu? Viva escudeiro! Não morra! Assim como você, também sinto a perda
de Dankhan mas sei que meu objetivo é permanecer aqui para ajudar o fundador. Caligaria está ao lado de Concludere. -Qual a sua condição, pilar? A valente mecha abre suas asas e aciona os propulsores avançando sobre o campo de batalha, entrando na guerra com todo seu poderío e logo desaparece, enquanto explosões mais devastadoras varrem o cosmo. Em solo, Maximillian e Merejo olham com atenção o desenrolar da batalha, Arman e Ed voltaram para O.M.N.I.S. -Amon! Cada um luta da forma que pode! Arman, preciso dos dados daquele
canhão! Amon,acione os scanners! Temos que achar a fonte de energia daquele
canhão pois uma arma daquele porte não se autocarrega! O.M.N.I.S., cancele
toda a comunicação! Vamos começar a interferir nessa batalha! Falava Ed
tomando o seu acento de navegador. Concludere tornou-se um espectador do combate, uma vez que estava protegido pela barreira de Argumentum. O grande pilar refletia sobre outros tempos e, em suas lembranças, surgem outros mechas... -Ormacimus... Lionedes... todos aqueles que vocês defenderam, hoje combatem ferozmente nossos algozes! A ganância de Obluctor tombará! Eu prometo! Pensava Concludere. Em alguns minutos, a armada perde o rumo do combate. O.M.N.I.S. já interferia na comunicação, deixando o inimigo isolado e com seu poderío dividido. A grande nave canhão acionou seu sistema. Caligaria mudou de rota para fugir do ataque. A noite tornou-se dia por um momento. O ataque foi tão terrivel que rompeu as barreiras de energia que Argumentum tinha criado. No solo, a dama do tempo tombou, fazendo o planeta estremecer. -Argumentum! Fale algo! Pedia Maitrec. Prontamente ela se ergueu e, usando o resto da energia de sua ampulheta, recuperou a barreira de proteção. Concludere entendeu que uma atitude devia ser tomada. Caligaria e os War Robots avançam sobre o canhão que ainda está sendo recarregado porém suas defesas são impenetráveis. -Caligaria! Ouça-me! A terceira nave, próxima ao canhão, é a fonte que você
quer atingir: é ela que alimenta as defesas do canhão. A valente mecha pára diante do inimigo e aponta suas armas. -Eu sou Caligaria! E esse é o meu presente para Mechapolis! Ao apontar sua arma o canhão também muda o alvo e mira em Caligaria. Concludere abre suas grandes asas e aciona seus motores, deixando a proteção de Argumentum. Enquanto isso, Caligaria dispara seguida pelos War Robots. O canhão também! A terceira nave ao lado do canhão é eliminada. Concludere vê apenas o tiro consumir a jovem Caligaria, enquanto os War Robots dão o golpe final, desativando as defesas da maior arma. Caligaria ainda permanece em campo, mas suas condições são péssimas. O disparo não a acertou em cheio mas a saraivada que veio a seguir, fuzilou-a ali mesmo. Os War Robots ainda ficaram na frente dela mas, também, foram eliminados. Numa pausa da armada, Concludere vê os restos de Caligaria flutuando. Ele se aproxima para recolher os restos da valente guerreira. -Deixe-me... termine a sua missão, salve nosso povo, Concludere... Nesse ponto, Caligaria desligava seu sistema. Concludere trouxe até bem perto de seu rosto aquele pequeno ser, dando as costas para a armada, sem se importar com os tiros que poderiam atingi-lo; Retirou-se de sua posição indo pousar ao lado de Argumentum, entregando-lhe Caligaria. Mesmo de longe, Maximillian ouviu a conversa entre os pilares. Numa simples frase, ele compreendeu quem era Caligaria: -Cuide de nossa filha, Argumentum... Até o final, Caligaria lutou, sem saber que Concludere era seu pai. Em sua mente sempre permaneceu a tristeza por haver sido capturada e reprogramada por Obluctor, que a transformou numa Neo-X. Ela carregou esse fardo bravamente pois, todos os dias, acreditou que seu sacrifício poderia não somente pagar seu débito para com Mechapolis como também para com aquele planeta, que ajudara a devastar. Nas mãos de Argumentum, Caligaria abriu seus olhos. -Nasci para criar mas concluo que só soube destruir. Perdoe-me, mãe! Caligaria, perante seus pais, encerrava sua missão. A dama do tempo compreendia o que se passava na mente de sua filha. -Obrigada, Concludere! Sua atitude deu-lhe a chance de se redimir. Em seguida, o pilar decolou, deixando o planeta para ganhar o espaço, onde acionou seu sistema. Posicionou suas armas para o canhão, agora sem defesa. Concludere absorvia mais rápido a energia vinda do sol e a barreira de Argumentum também recarregava suas armas. Enquanto concludere checava seu sistema, a armada tentava defender sua única arma. O pilar também avista os restos de todos os War Robots destruídos e, em solo, muitos mechas aguardando sua liberdade. Paradoxalmente, em suas armas estava o tão ambicionado sonho: a paz. -Uma guerra, o ato mais terrível que um povo pode usar; o termo mais pesado para atingir um ideal. Uma guerra jamais servirá como forma para alcançar a paz. Uma guerra é um modo onde dois lados lutam por seus ideais e aquele que vence, na verdade, consegue apenas resguardar o seu ponto de vista... Infelizmente, não há outro modo para conseguirmos resolver nossas diferenças! Concludere inicia a transferência de energia para o armamento. -Hoje, Obluctor perderá um pouco de seu poderío bélico! Embora ele não esteja no interior de nenhuma dessas naves, um dia, enfrentá-lo-ei definitivamente, para alcançarmos a nossa paz. Por hora, recuperemos um pouco de liberdade! O disparo corrompeu a estrutura da nave principal gerando uma vã tentativa de fuga pelas outras. O ataque de Concludere foi favorecido pela proximidade com as naves e a grande energia contida nesse disparo. Formou-se uma conecção letal e, em alguns instantes, todos no solo tiveram a visão ofuscada. Apenas o terceiro pilar consegue ver o término, narrando o final para os mechas: -Suas carcaças estão se partindo, seus chips foram eliminados, suas estruturas corrompidas. Nada resiste! Sobre nossa coragem, nada impera... sobre nossos sonhos, unicamente nosso desejo de vencer! Argumentum, pressentindo o impacto do disparo, dobrava suas forças para proteger o planeta. Muitos pedaços chocavam-se contra a barreira que ela criara, grandes o suficiente para provocar danos profundos aos mechas que ali estavam, desprovidos de outras defesas. Maximillian adaptava seu sistema para recuperar a visão, ele queria ver o que estava ocorrendo. Após algumas configurações, conseguiu ter uma imagem imprecisa, sem detalhes, mas pôde avistar centenas de estrelas caindo: os fragmentos da armada. Concludere retorna ao planeta, pousando perto de Argumentum. Ela, por sua vez desenrolava-se de sua ampulheta, amparada pelo grande pilar. -Vencemos...? Vendo aquela cena, o fundador de um novo tempo sentiu-se mais calmo para compreender a perda de seu filho e de tantos outros mechas. Porém, ao ver a alegria de cada um dos presentes, obrigou-se a recolher sua dor e acompanhar a multidão até Concludere. Quando todos deixaram aquele local, uma nave pousou ao lado de Dankhan: era a Dark Wings. Caladius desceu e ficou ali olhando a estrutura abatida de seu amigo. Abriu um de seus bolsos de onde retirou uma arma muito antiga, e colocando-a na mão de Dankhan. -Jamais me agradeça por isso, garoto! Nunca entenda que lutei pelo ideal de seu fundador! Caladius retorna para sua nave, de volta para Sync-On. Durante aquele período, ele havia mudado as estratégias de combate dos War Robots. Arman vai ver os restos dos mechalions. -Temos muito trabalho pela frente... preciso de sua preciosa ajuda, gêmeos do tempo! O.M.N.I.S. pousou, permitindo a saída de Amon com Ed. -Escudeiro de NET.Water, ajude-me... A dama do tempo abria sua mão e mostrava os restos de Caligaria para todos. Amon, prontamente, recolheu Caligaria em seus braços, levando-a para a nave. -Vamos fazer um upgrade da mente, agora! Disse Ed. Merejo estava parado ao lado da nave, observando a alegria de todos os mechas. O fundador deixou O.M.N.I.S. e continuou andando ao encontro de Concludere e Argumentum. A dama do tempo voltava a enrolar-se em sua ampulheta e o terceiro pilar prestava respeito a Maximillian. -Você conseguiu, pilar! É um vencendor! O imenso mecha estendeu sua mão até Maximillian. -Na verdade, todos nós vencemos, fundador de um novo tempo! É uma honra encontrá-lo! Esperei este dia, por muito tempo... E com aquele aperto de mão, estava selada a nova amizade. Mechapolis só precisava de muita coragem para renascer das ruínas. A ajuda do terceiro pilar será decisiva e todos acreditam nisso. Desse modo, encerra-se uma das mais longas narrativas. Aquela terrível armada não mais existia. O planeta estava a salvo juntamente com todos os mechapolitanos. Arman escreveu estas páginas e marcou o período com um nome: A saga dos 25 tempos. Um longo ciclo é finalmente deixado para trás. Agora, dizemos adeus a todos esses seres que, com muita coragem e determinação, retornam à normalidade, aguardando a chegada de um novo tempo... -Será???... Questiona Ed... |
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