Mechapolis Capítulo IX : Portas seladas Debatendo-se entre o real e o absurdo, Caligaria se esforçava para
manter o controle de sua consciência, tentando compreender o que se passava
a seu redor. Mesmo assim,de forma assustadora, sentia-se perdida. Lutando
para acionar seu sistema de vôo e sem conseguir, só restava a ela despencar Centro de Comando Vendo a tarde terminar, Arman começava a andar de um lado para o outro. A todo momento olhando na direção de seus painéis de busca: nada era captado; o transporte ainda não era avistado. -Senhor? Posso sugerir uma equipe de busca? Nesse momento, num ponto distante, o transporte retornava de maneira veloz, isso alertou Arman. Prontamente tentou contato: recebeu a informação sobre o transporte estar em modo automático. Isso o preocupou muito. Nem Maximillian, Orm ou Dankhan respondiam. Também não avistou Caligaria voando. Rapidamente enviou um pelotão para esperar naquela entrada. Portões do leste Amon e Ed encontravam-se naquele portão desde a hora da partida nenhum dos dois quis deixar seu posto. -Quanta pressa! Ao chegar, os dois amigos encontram Dankhan desmaiado nas costas de Maximillian. -Tenha cuidado com ele! Leve-o, rápido! Guardas! Prendam o mechalion Orm! Todas as cabeças volveram para Maximillian. Todos pasmos com aquela ordem. -Maximillian, que aconteceu? Onde está a jovem Caligaria? Virando-se na direção do mechalion Orm: -Desculpe-me por tudo isso, Orm. Realmente é necessário. Levem-no para o
confinamento. Orm foi escoltado por vários guardas. Dankhan era carregado por outros. Amon e Ed o acompanhavam. Ao fundo, Arman vinha correndo. -Maximillian!!! Maximillian!! Assim, os portões são fechados e travados. Mechapolis cala-se perante tantas perguntas. Arman continua aflito, enquanto Dankhan esta desacordado. Ed e Amon são apenas espectadores de tudo enquanto Maximillian pede para descansar em seus aposentos. Algum lugar Com a cabeça pesada e a vista deturpada, Caligaria começava a enxergar o
que a rodeava, sem nada compreender. Chega a pensar que, realmente, enlouqueceu.
Nada parecia ter nexo: Curvas... cores... pensamentos... tudo conseguia observar
e tão pouco, entender. Apos alguns momentos, enfim, algo tomou uma forma menos
abstrata: era uma porta dupla. Precisava ficar em pé. Sua estrutura estava -Vamos ver: braços - pernas - cabeça. É... ainda existo... só não sei... onde! Estendendo os braços, tocou naquela porta. -Hum... parece ser real. (Acionando sistema de ataque) Nada acontecia, nenhum de seus armamentos funcionava. -Começou a complicar! Vai ter de ser no braço! Tentou empurrar, mas pesava muito e, sem qualquer tipo de calço, ela começou a esmurrar na tentativa de abrir. Depois de algum tempo tentando, desistiu. -Legal, presa neste pesadelo absurdo. Maximillian!!! Dankhan!! Orm!! Ninguém respondia, nem mesmo eco fazia. -Sem comunicação, sem ninguém, sem nada, ou melhor, aqui está bem lotado: de
loucuras, mas está. Olhar para cima é igual olhar para baixo, lado duvido que
tenha, só mesmo esta velha porta emperrada como marco! Estou frita! Caligaria apoiou de vez seu corpo naquela porta e começou a empurrar,
usando toda a sua energia e ouvindo a mesma pergunta. A porta começou a ceder
o que a levou a empurrar com mais força ainda. A porta se abriu e ela tombou do
outro lado. Quando levantou, enxergou um imenso hall de colunas de pedra, chão
de terra. Ao fundo, paredes sem janelas. Mas, estranhamente, havia claridade Olhando para frente, viu um ser imóvel, diante de outra gigantesca porta. Era estranho estar bem ali porque, em sua mente, de alguma forma, tinha uma nítida certeza de conhecê-lo. Mas não sabia de onde. Foi quando compreendeu que todo aquele local também lhe era familiar. Isso a fez temer por sua segurança o que a levou a voltar na direção da porta por onde entrara, esmurrando-a ferozmente. Mas a porta nem se abalou. Sem alternativas, Caligaria começou a andar pelo lugar, aproximando-se daquele inerte ser. Ela o olhava, analisando-o: seu corpo não era muito simétrico mas mostrava-se, claramente, ser um mecha, com pernas curtas e grandes botas, de mãos alargadas e braços pequenos. Ele a deixava com vontade de rir mas, mesmo assim, continuou séria. Deixando de lado aquele ser, caminhou até outra porta. Estava trancada. Tentou empurrar mas de nada adiantou. Sem chance alguma, só restou voltar até a porta por onde tinha entrado e sentar-se no chão. -Da frigideira, para a fogueira. Ei! Psiu! Você mesmo! Não fala nada? HaHaHa, caso você fosse real, poderia me contar onde estou, mas somente é uma estátua de pedra, feia e velha. Então a estátua girou a cabeça e olhou para Caligaria. -Somos o que realmente queremos ser e você sabe o que realmente é? Caligaria levantou-se, rapidamente. -Sim sei, mas você fala mesmo? O imenso ser começou a mover-se, sua aparência de pedra mudou e, agora, ganhava uma cor prateada. -Desde o tempo mais antigo, até este presente ambicioso, eu a esperei! Enfim,
jovem Caligaria, você chegou! Ele virou-se na direção das portas e as abriu com grande facilidade. -Venha por aqui. Caligaria percebeu uma profunda escuridão. Ele foi primeiro, sendo seguido de perto por Caligaria. O corredor, agora, era diferente: com entalhes nas paredes e com bordas definidas. -Lembrou de seu amigo Ed? Indagou Maitrec. Andando de forma mais rápida, o tempo fluía e o corredor parecia não ter fim. Impaciente, a jovem prefere ir na frente e, quando estava pegando o embalo, bateu em algo e caiu. -Este é o mal da juventude: sempre apressada. Então, ela se levantou e, novamente, começou a empurrar aquela porta.
Desta vez, Caligaria teve cuidado para não cair do outro lado. Uma imensa
claridade perpassou. Era impossível divisar o que residia após a porta. Ao
abrir mais, aquela luz começou a diminuir até desaparecer; permitindo que o Ao centro, calada, habita uma imensa silhueta, enroscada no tempo, por ora parado e lacrado. Maitrec continuou a caminhar, enquanto Caligaria só conseguia observar e nada mais. A figura a sua frente, hipnotizava seus sentidos. Em sua mente, enfim, retornava para algum lugar há muito esquecido. -Finalmente, minha querida amiga, eu a trouxe! Cumpro uma das mais antigas
promessas já feitas para ti, aceite-a e retorne para nós... Maitrec apontou em direção ao centro e, bem ali, abriu uma passagem: surgiu uma escadaria em caracol. -Sim, sua missão. Vá, jovem caligaria! Desça e busque! E, por favor,
encontre! Iniciou a descida, levando a imagem daquele ser preso à ampulheta, que não se esvai de sua mente. Lentos passos são desferidos e, pouco a pouco, a escuridão vai engolindo-a outra vez. Do alto, Maitrec observa seu destino. -Quem sabe, desta vez, ao menos desta, o destino poderá ser diferente. Caligaria começava a ficar cansada de descer aquela espiral. Checou seu sistema de vôo e recebendo o sinal positivo, prontamente saltou das escadarias. -Cair é mais rápido do que descer um a um estes degraus. Somando velocidade à descida, as sombras imediatamente dissiparam-se e um azul configurou-se. Parecia adentrar uma nova biosfera: encontrou um vale de grandes árvores e um céu com nuvens. Também, viu o final da escadaria. Estendendo o braço, conseguiu agarrar o último dos inúmeros degraus e parou sua descida. -Legal! Algo racional! Seja bem vinda, Caligaria, ao mundo dos normais! dizia Caligaria para si mesma. Em seguida, ouviu o som de tiros e explosões do seu lado e, quando olhou, ficou pasma. -Mas que droga é aquela! Um combate aéreo é travado: de um lado, grandes seres azulados com asas rajadas abatiam outro ser menor, nas cores cinza e amarelo, sem nenhuma piedade. -Quer saber? Lutas sem propósito eu até entendo, mas dois contra um, nunca fui a favor. Soltando-se da escadaria, Caligaria retomou seu vôo, de imediato e
passou a perseguir os seres. Sem a menor dúvida, ela os atacou. O primeiro
não impôs problema algum mas o segundo revidou de maneira mortal e fugiu;
deixando o ser menor cair no meio daquela floresta. Caligaria ficou entre -Ao menos alguém, poderá ser salvo hoje. Descendo para a floresta, num ponto fechado, as arvores sendo grandes obstáculos em sua procura porém, mesmo sendo menor do que os outros, aquele ser ainda é bem grande se comparado consigo mesma; ela não demorou para encontrá-lo ali, caído e se debatendo. Ao ver Caligaria entrou em modo de combate. Caligaria compreendeu ser um mecha e, com seu jeito especial, acalmou-o. -Calma! Não quero te machucar! Caligaria aproximou-se daquele eixo e começou o reparo, usando suas ferramentas de manutenção. -Tenha cuidado, por favor! Pedia a pequena Mechabee. De longe duas mechabutterfly vêm voando, o ruido é fácil de ser identificado. Prontamente, Caligaria abriu as asas e atacou cortando as asas das inimigas que se estatelaram no solo. Mélanie ficou muito admirada com a atitude de Caligaria. -Agora temos peças para o seu novo eixo! Caligaria caminhou até uma das mechabutterfly e retirou partes daquelas asas. -Ficarão sem voar um tempo e nós poderemos ganhar esse tempo. Trazendo as partes e peças, Caligaria observou a estrutura de ambas: mesmo sendo inimigas as peças eram as mesmas e isso a fez pensar mais sobre tudo aquilo... -Mélanie, tente agora.! A pequena mechabee levantou-se para mover suas asas. -Perfeito! Obrigada, Caligaria! Caligaria voltou-se para a pequena mechabee e sentou naquela grama verde. -Sou toda ouvidos. Pode contar sua história. Afinal estes mundos são
totalmente estranhos. De onde eu vim, não de meu planeta natal mas da
cidade onde moro atualmente, tem uma lagosta gigante que é o rei de uma
cidade no fundo do oceano. Qual a razão para ficar surpresa com uma rainha
abelha? Todos os dias, creio estar vivendo um conto de fadas, onde só leio
as páginas mais complicadas. Agora as duas ganhavam o céu e Mélanie ditava o destino. -Vamos para o leste. Lá é a morada das mechabutterfly. Caligaria começou sua descida, de maneira furtiva, aproveitando o final do dia e suas cores mais sombrias a ajudam nesse momento. Ao pousar, escondeu-se atrás de umas pedras e ficou a observar o local: as mechabutterfly, ali presentes, desceram pela grande fenda. Aproveitando a deixa, Caligaria foi se esgueirando pelas bordas até conseguir ver o fundo. Eram várias cavernas mas apenas uma emanava luz. -Vamos até ali? Indagou Mélanie. Caligaria deu um pulo de susto. Era sua pequena amiga mechabee que resolveu segui-la. -Não faça mais isso! As duas agora desciam até a boca daquela caverna, tentando descobrir algo: identificaram uma gaiola. -Ali! Ali! Queen mechabutterfly! Tentando impedir sua pequena amiga, Caligaria pouco pôde fazer e a pequena mechabee penetrou naquele espaço. Caligaria olhou para cima e se perguntou : -Que faço eu aqui??? Quanto mais me previno, mais problemas encontro. Pensando nisso, saltou para dentro da caverna e, aproveitando o embalo da confusão, cortou dois pares de asas, derrubando duas mechabutterfly. -Isso mesmo!! Falava Mélanie. Sem perceber, a pequena mechabee é atingida e uma grande mechabutterfly aparece. -HaHaHaHa! Como ousa nos deter, pequenina! Vamos vencer sempre! Vendo a pequena mechabee tombar, Caligaria se retesou e resolveu não mais controlar seus instintos: partiu para o ataque. A mechabutterfly era de grande porte mas não possuía a mesma velocidade de Caligaria, mal conseguia acompanhar o movimento dela. Agora chegavam mais duas inimigas. O combate se mostrava mais difícil. Então Caligaria olhou para o teto escuro da caverna para observar a
estrutura... teve uma idéia... partiu para cima das novas mechabutterfly e elas,
com um simples movimento, escaparam. Pensando na vitória, Caligaria mirou o teto
e, ao atingí-lo, causou um desmoronamento, fazendo aquela gaiola tombar. voltou
para salvar a pequena mechabee e a retirou da caverna, sendo seguida pela queen -Caligaria? Depois de algumas horas, elas começam a ver o lar das mechabees. Ao se aproximarem do local, um grupo de mechabees tenta interceptá-las e, antes de iniciarum ataque, elas avistam a Queen e a filha de sua majestade. Prontamente deram passagem e escoltaram-nas para o interior da colméia. Pousando naquele imenso lugar, Caligaria sente o esgotamento, depois de lutar e voar por tanto tempo. Mal tem forças para ficar em pé e senta-se no chão mesmo. Nisso, aproxima-se outra mechabee gigante e também de cor diferente: ela é a Queen das mechabees. Novamente, Caligaria pensa que é um sonho: cada fato novo que via... já nem compreendia mais os motivos que a tinham levado a tal lugar... desmaiou ali mesmo. -Queen Geneviève! Quanto tempo! Duas mechabee guardas levam a princesa, enquanto Caligaria continua caída. -E a outra? Não ajudará? Uma voz rouca foi ouvida. -Não irei sem Caligaria! Recuso o meu tratamento! Agora todos entram e as duas Queen podem colocar os assuntos em dia. Outro dia Sentindo o calor esquentar seu rosto, Caligaria começa a despertar. Abrindo seus olhos lentamente, observando ao redor, tentando entender massendo inviável. Aquele ambiente era uma das imensas células da grande colméia. As paredes filtravam os raios de sol e permitiam a entrada de luz e calor. Ao olhar para seu lado, observou uma vertiginosa queda. De repente, uma mechabee passou diante dela. -Quando este sonho vai terminar? E eu, reclamando da lagosta... Uma mechabee observou o despertar de Caligaria e informou à rainha. Prontamente, recebeu ordens para levar sua hóspede até a presença de ambas. -Ir com você? Caligaria saltou e assustou todas as outras mechabee, ela realmente gostava de começar o dia com um vôo. Adorou aquela colméia. Todos os dias poderia cultivar seu hábito matinal sem nenhum problema visto que, ali, para atingir qualquer andar, teria de ser voando. -Por favor, voe a sua esquerda, primeira passagem seguinte. Continuando a voar, Caligaria até tinha deixado de lado os problemas do dia anterior e agora queria curtir aquilo tudo. Mas sua " farra " terminou quando aquele túnel terminou num saguão, onde as duas rainhas conversavam. Mélanie a recebeu assim que chegou. -Caligaria!! Pousando e caminhando em direção às duas grandes rainhas, Caligaria demonstra respeito e, curvando-se, cumprimenta-as. -Fique de pé, jovem filha do mais antigo tempo. Pedia Queen Geneviève. Neste momento, um dos guardas, trouxe uma pequena urna para Caligaria que, por sua vez, abriu sem pensar e viu algo diferente. -O que é este pó? Caligaria despede-se de todos, vira-se e sai correndo com aquela urna em seus braços, cruzando o imenso saguão e aproximando-se da saída, ela estende suas prateadas asas e chegando a borda, salta e parte em direção as escadarias. Queen Geneviève acompanha-a com os olhos e ouve uma pergunta de sua filha. -Algum dia voltaremos a encontrá-la? Voando por todo aquele céu azul, Caligaria ainda mantinha o seu bom humor, atravessando nuvens, dando rodopios e piruetas. Ela realmente estava muito feliz. Em meio a tantos loopings, olhou para trás e viu um grupo de mechabee e mechabutterfly acompanhando-a até as escadarias. Ao chegar ali, ela despediu-se de todas e olhou para cima. -Quando minhas perguntas terão respostas mais claras? Deixando as perguntas de lado, prosseguiu seu vôo. Conhecendo o caminho com mais exatidão, apenas precisava seguir as escadarias. Seus pensamentos agora focavam Maitrec e aquela urna. Do outro lado daquele vasto percurso, Maitrec concentra seus pensamentos: depois de tanto tempo esperando, pela primeira vez, ficou impaciente, pensando em Caligaria e em todos os riscos, aos quais ela ficara exposta. -Talvez... talvez não... absurdo! Não cabia a mim tal dever. Mas, pensando com
calma, acredito mais que deveria ter ido. Isso poderia mudar o destino. Levantando-se do chão, Maitrec leva um grande susto. Quem conversava consigo? Caligaria pairava ali... -Caligaria?!?!? Maitrec não aguentou sua alegria e apenas apontou para o alto da envelhecida ampulheta. -Despeje lá! Caligaria continua seu vôo até o topo da imensa ampulheta onde encontrou um pequeno orifício para despejar toda aquela areia. Ao fluir, a areia concentrou-se em um só ponto e Caligaria, ao descer, notou haver maior quantidade de areia do que trouxera na urna. -E agora? Caligaria começou a notar tudo a sua volta se modificar: tanto o chão quanto o teto. Aquela ampulheta, lentamente, deixava a areia fluir para a sua base e isso gerou uma grande luz, ofuscando-lhes a visão. Precisando de alguns momentos para se recuperar, Caligaria voltava a ouvir a voz daquela primeira porta. E, quando pôde, finalmente, abrir os olhos, enxergou-a. Aquele ser, antes petrificado, transmudou-se da forma neutra e, agora, tão serena, tinha despertado em suas formas douradas. -Obrigada, minha doce Caligaria! |
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