Mechapolis Capítulo VIII : Soterrado por pensamentos Perturbado com as últimas palavras de Orm, Arman não conseguiu descansar naquela noite, preocupado e pensativo, sobre o que a frase revelava: quais os encadeamentos de Caligaria com a atual Mechapolis? Também recordou aquele dia, em que Orm foi para o deserto e o tempo que ele passou fora. Perguntas afligem a mente do velho conselheiro. Hall -Ei, Dankhan! Maximillian, adentra finalmente o recinto, seguido de Orm e Caligaria. -Bom dia!! Falava o jovem fundador. Todos, imediatamente, saem para cumprir seus deveres. Maximillian vai até as escadarias externas, seguido de Orm e Dankhan. -Sinto muito por sua nave, Dankhan! Descendo as escadarias com pressa, ele os deixa para trás. -O gênio dele é impossível, insolente e totalmente descontrolado. Não pode
pertencer à linhagem... Ambos agora andam pelas ruas, o fluxo é baixo e Orm continua fascinado com o desenvolvimento de Mechapolis. -Na época em que parti, seu sonho não era tão imenso, jovem fundador. Dirigindo-se aos portões, os dois continuam rindo. Centro de Comando -Transporte preparado, senhor Arman! Portões do leste -Prefiro voar! Novamente a jovem Caligaria ganha o céu, onde gostaria de morar eternamente. Orm fixa sua atenção em seu vôo. -Tudo bem Orm? Perguntava Maximillian. Em ato de protesto o mechalion começou a resmungar. -Ei! Ei! Não fui eu quem inventou essas regras. Ache outro para reclamar!! Orm continua resmungando do mesmo jeito. Caligaria, do alto, vê a cena toda e pensa: -Quanto mais amigos, mais rabujentos. Aqueles dois vão longe. Abrindo os portões, o transporte dá partida e desloca-se de maneira rápida pela planície. Durante o percurso, ao longe, podia-se divisar as montanhas de Sync-on desmoronadas. -Aha! Daquilo eu me lembro bem! -Tenho certeza que estamos andando em círculos! Orm você tem certeza? Depois de alguns minutos, o transporte pára e Dankhan desce com um certo ar de contrariedade. -Vamos lá, pulguento! Fale coisa com coisa! Esquerda ou direita? Tanto faz...
estamos aqui no centro do nada junto com o ponto de coisa alguma, mais algo? Fechando a porta, o módulo agora muda a direção e acompanha Caligaria. Os minutos tendem a passar rápido, Dankhan continua nervoso. -Tem certeza, Caligaria? Novamente o transporte pára e Dankhan desce e senta no chão. -Exijo uma coordenada! Exijo um mapa! Até mesmo um guia!! Qualquer coisa
serve!! Mas não mais este mechalion metido a filósofo!! Adiante Caligaria pousa. -Caso continue assim, a noite vai cair e nós ainda estaremos aqui, sem
rumo. Dankhan, ao ouvir a frase do mechalion, atira-se de vez na terra quente. -Ora vejam: ele quer consultar o zodíaco!! Talvez queira uma bola de cristal, também! Maximillian volta sua atenção a frente do transporte e as nuvens de areia que se dissipam lentamente, vão revelando um interior repleto de grandes rochedos. -Achamos, jovem fundador! Suspirava Orm. Rapidamente, Dankhan manobra e desta forma pisa fundo no acelerador. -Calma! Calma! Dankhan. Levantando uma grande nuvem de poeira, o módulo cruza a imensidão. Do alto, Caligaria tinha uma visão mais ampla: bem antes daquelas rochas havia um desfiladeiro, sendo assim Dankhan foi obrigado a parar antes. -Que alívio descer desta coisa! Na próxima, venho pelas minhas próprias
pernas, resmungava Orm. A descida seria um novo problema: procurando o lado menos íngreme, começaram a descer. Dankhan foi mais rápido, Orm conseguiu dar um salto e Caligaria desceu voando. Maximillian demorou um pouco mais: pulando sobre pequenos platôs, fez seu caminho descendente. -Agilidade é tudo, nos tempos de hoje, hein jovem fundador? Caligaria começou a olhar aquelas paredes de rocha pura: não pareciam ser artificiais... algo bem natural aos seus olhos. -Alguma idéia de como vamos entrar? Acionando o seu sistema de ataque, Orm gerou uma rajada poderosa e a sólida rocha abriu-se como papel. A poeira demorou para baixar e, só então, o interior obscurecido se descortinou para todos. -Ruínas? Maximillian tentava compreender o que via. O jovem fundador foi o primeiro que atravessou a passagem aberta pelo mechalion. Em seguida, vinha a confiante Caligaria. Orm e Dankhan eram os últimos da fila e sem conversar. -Hum... parece mais um túmulo. Tem mesmo certeza de estarmos no lugar
correto? Descendo por um corredor e adentrando mais, nossos exploradores continuavam com calma seu percurso. Orm modificou sua atenção e apertou o passo. Agora, liderava o caminho. Maximillian acreditava em Orm mas Dankhan, não. E, sendo assim, de rabujento ele passava a muito desconfiado. Tanto que foi deixando pelo caminho, microlocalizadores com o que foi construindo um mapa daqueles túneis. A escuridão era opressiva. Orm ía na frente, iluminando o caminho que, a cada passo, mais estreito se tornava. Contando pelo seu temporizador, Dankhan acreditava terem andado um pouco mais de meia hora. Seus localizadores estavam quase terminando quando Orm parou. Ao andarem um pouco mais, eles saíram daquele estreito corredor e descobriram um imenso abismo dividindo a caverna. O único elo, com o outro lado, era uma ponte de aparência nada confiável, feita de cordas e tábuas, ela indicava a única forma de atravessar. -A resposta habita o outro lado, fundador de mechapolis! Neste momento, o jovem fundador indagou sobre a sanidade de seu maior amigo. Teria ele coragem de cruzar todo o percurso, apenas confiando naquelas medíocres cordas? -Podem deixar. Eu vou primeiro. Não tenho mais a perder do que vocês. Dankhan caminhou até o início da ponte, respirou fundo e pisou na primeira tábua. A ponte balançou e começou a ranger. Com sua prepotência de sempre, ele deu o segundo passo, e o terceiro, e foi cruzando o caminho. Mesmo entre tantos rangidos, sua atitude é calma e concentrada. -Todos um dia, cruzam seus caminhos. Maximillian permanece atento em Dankhan, quase não ouve as palavras de Orm. Somente quando Dankhan pisou do outro lado, ele sentiu a tensão passar. Aliviado, foi o segundo a cruzar. Enquanto caminhava, mesmo sem querer, acabou lembrando de várias passagens de sua longa vida: algumas eram boas, outras nem tanto e, sendo levado por seus pensamentos, continuou firme até o final onde Dankhan o recebeu. -Se aguentou o meu peso, pode suportar o de vocês também, venha Caligaria. Dankhan não acreditava na possibilidade daquele monstro mecha conseguir dar ao menos um simples passo em cima daquela velha ponte de madeira. Mas acabou surpreendido: a ponte não só suportava o grande peso como quase nem balançava. Lentamente, o grande mechalion prosseguia, envolto em rangidos. Mas, quando estava próximo ao final, um abalo forte o surprendeu. Usando sua força e saltando dali, atingia o outro lado. Porém a ponte havia cumprido seu último objetivo. -Tudo bem, Orm? Orm agora fixou sua atenção em Caligaria e ao pular, ela planou por alguns breves segundos e, em seguida, algo a fez parar. -O que houve? Indagou Maximillian. Ao continuar seu caminho, aconteceu uma explosão em uma de suas grandes asas e isso a fez perder totalmente o controle, fazendo-a despencar. Maximillian e Dankhan ficaram desesperados. -Vamos descer! Maximillian demonstra uma insatisfação, mas ele compreendia o que aquelas palavras queriam dizer e desta forma, o jovem fundador de Mechapolis aceitou prosseguir. -Quanta loucura! Objetivo? Destino? Eu vou descer! Orm acertou Dankhan com sua enorme pata, arremessando-o contra uma das paredes, que afundou com ele. -Desculpe-me, garoto! Mesmo não conhecendo o destino de todos, tenho
certeza suficiente de que o seu não é cair naquele buraco. Acredite em mim
e depois me agradeça. Antes de desfalecer, Dankhan olhou para Maximillian,
estendeu sua mão e em seguida apagou. Maximillian ergue Dankhan e o coloca sobre suas costas. -E agora, sem nenhum problema, dite o nosso caminho, incitador! E assim, Maximillian carregando Dankhan em suas costas e Caligaria perdida naquele abismo, Orm só poderia levá-los até o final daquele estranho caminho. -Quanto mais até sairmos? Indagava Maximillian. Orm permaneceu calado o resto daquele trecho. Maximillian continuava a pensar sobre a perda de Caligaria e, também, estava preocupado com os danos em Dankhan. Ele continuava desligado. De repente Orm parou. -Aqui, falou o mechalion. Ao tocar aquela gigantesca porta, sentiu o frio invadir sua mente. -Quanta solidão! Um frio tão eterno... tao repugnante... Mantendo-se firme, Maximillian empurrava a porta, sem tentar compreender o motivo para aceitar tal sacrifício. Continuava abrindo e, passa a passo, a porta cedia. Quando menos imaginava conseguir, ela cedeu de forma súbita e estrondosa, fazendo-o dar vários passos para frente. Quando abriu os olhos, viu uma imensa e estagnada ampulheta. -Orm? Maximillian afasta-se de Orm. Andando pelo grande salão, não conseguia desviar a atenção da ampulheta. -Sempre achei tudo uma loucura, desde quando você voltou. Sinto que errei
ao desativá-lo. Se eu o tivesse destruído, não estaria vivendo este momento
absurdo! Olhando fixamente para o imenso objeto, Maximillian por alguns momentos viu a areia fluir e tornar-se dourada. Em sua mente, brotou um nome improferido há séculos. Talvez jamais conhecido por alguém. Voltou seu olhar para Orm, sua voz ficou alterada e, criando coragem, repetia o imponente nome. -A dama do tempo... |
|---|