m

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mechapolis
7 de Dezembro de 2004
By Lord Eternal

                  Capítulo VIII : Soterrado por pensamentos

                  Perturbado com as últimas palavras de Orm, Arman não conseguiu descansar naquela noite, preocupado e pensativo, sobre o que a frase revelava: quais os encadeamentos de Caligaria com a atual Mechapolis? Também recordou aquele dia, em que Orm foi para o deserto e o tempo que ele passou fora. Perguntas afligem a mente do velho conselheiro.

                  Hall

    -Ei, Dankhan!
    -Diga, Ed.
    -Arman está sonolento, hoje.
    -Quem sabe ele foi para uma festa e nem nos chamou...
    -HeHeHeHe! O velho Arman não é dessas coisas, nem falou algo ainda.
    -Ô Arman, tá tudo bem com você hoje?
    -Sim, Dankhan. Obrigado por perguntar.
    -Poderia ter sido mais indiscreto? Murmurava Ed.
    -Perguntei, não perguntei? Resolvido.

                  Maximillian, adentra finalmente o recinto, seguido de Orm e Caligaria.

    -Bom dia!! Falava o jovem fundador.
    -Desculpem nosso atraso. O sono era mais forte, uaaa, resmungava o sonolento mechalion.
    -Continua o mesmo preguiçoso, hein Orm?
    -HeHeHe! Hábitos são renitentes, Arman!
    -Hoje, Orm vai nos contar algo! Estou certo, Orm?
    -Iremos até o deserto, por isso o nosso atraso há pouco.
    -Mas de estalo??
    -Sim, Amon. Devemos ir. Não posso explicar com palavras, minhas descobertas. É preciso mostrá-las.
    -Eu ainda acho um absurdo. Neste caso, um grupo será enviado. Sendo Orm o único que conhece o caminho, está incluído. Quem mais vai? Indagou Maximillian.
    -Como assim? Nós...? Perguntou Arman.
    -Eu também vou, Arman. Respondia Maximillian.
    -Isso refere-se a mim, pelo que percebi quando conversei com Orm por isso irei. Disse Caligaria.
    -Obrigado, Caligaria. Mais alguém?
    -Vou com vocês pois nada tenho para fazer. Ed e Amon devem ficar: o deserto não é lugar apropriado para mecha peixes e caramujos, falava Dankhan levantando-se de sua cadeira.
    -Ufa! Escapei... imagina eu fritando... resmungava Ed.
    -Muito bem! Preparem o transporte. Vamos partir o quanto antes. Dispensados.

                  Todos, imediatamente, saem para cumprir seus deveres. Maximillian vai até as escadarias externas, seguido de Orm e Dankhan.

    -Sinto muito por sua nave, Dankhan!
    -Esqueça isso, Orm... era uma lata velha mesmo...
    -Não é verdade. D. ficaria muito entristecido se o ouvisse falar assim de seus sonhos.
    -Realmente não dramas. Era só uma nave... foi destruída e... acabou. Assunto encerrado, ok?

                  Descendo as escadarias com pressa, ele os deixa para trás.

    -O gênio dele é impossível, insolente e totalmente descontrolado. Não pode pertencer à linhagem...
    -Mas pertence meu caro amigo Orm.
    -Vou demorar para compreendê-lo!
    -Todos nós estamos, ainda, tentando. Quem sabe, um dia...
    -Talvez...

                  Ambos agora andam pelas ruas, o fluxo é baixo e Orm continua fascinado com o desenvolvimento de Mechapolis.

    -Na época em que parti, seu sonho não era tão imenso, jovem fundador.
    -Meu sonho deixou de ser meu apenas e tornou-se o sonho de todos os que moram aqui!
    -Porisso este sonho deve ser preservado, a qualquer custo.
    -Aquela antiga história se cumprirá? Indagou Maximillian.
    -Logo iremos descobrir. Caligaria vai conosco e nem mesmo pedimos. De pronto, se ofereceu. Apesar de ter aquela aparência assustadora, eu gosto muito dela.
    -Mechalion, você continua o mesmo.
    -Não interprete mal as minhas palavras, jovem fundador. Mas falando de outro assunto mais importante.
    -Que assunto, Orm?
    -Acha certo deixar toda a Mechapolis nas mãos de Arman e Amon?
    -Arman provou ser um grande estrategista e, com a ajuda de Amon, nossa segurança continua em alta principalmente agora que você fez Sync-on ruir.
    -Aproposito: quem é Caladius?
    -O mais novo louco do pedaço. Em breve vai conhecê-lo, Orm.
    -HaHaHaHaHaHaHa! Ótima piada jovem fundador! Ótima!

                  Dirigindo-se aos portões, os dois continuam rindo.

                  Centro de Comando

    -Transporte preparado, senhor Arman!
    -Atenção grupo! Tudo conferido. Podem partir quando quiserem.
    -Obrigado, Arman. Dankhan desliga.

                  Portões do leste

    -Prefiro voar!
    -Sortuda! Também gostaria de ir voando, mas... estou meio a pé (hehehe) Dankhan respondia, rindo.
    -HeHeHe!! Certo! Qualquer anormalidade eu informo.

                  Novamente a jovem Caligaria ganha o céu, onde gostaria de morar eternamente. Orm fixa sua atenção em seu vôo.

    -Tudo bem Orm? Perguntava Maximillian.
    -Jamais me cansarei de vê-la decolar... é esplêndido.
    -Mechalions não nasceram para voar! Lembre-se disso, Orm.

                  Em ato de protesto o mechalion começou a resmungar.

    -Ei! Ei! Não fui eu quem inventou essas regras. Ache outro para reclamar!!

                  Orm continua resmungando do mesmo jeito. Caligaria, do alto, vê a cena toda e pensa: -Quanto mais amigos, mais rabujentos. Aqueles dois vão longe.

                  Abrindo os portões, o transporte dá partida e desloca-se de maneira rápida pela planície. Durante o percurso, ao longe, podia-se divisar as montanhas de Sync-on desmoronadas.

    -Aha! Daquilo eu me lembro bem!
    -Cuidado com a vaidade, Orm.
    -Mas concorde comigo, jovem fundador. Foi um grande disparo: um, em um milhão!
    -Vai ser longa a viagem.
    -Lembra-se daquela imensa hydra? Venci-a com um golpe certeiro, yeah!
    -Realmente, vai ser uma longa viagem... resmungava Dankhan, da cabine, ouvindo a conversa do mechalion.

                  Algumas horas depois

    -Tenho certeza que estamos andando em círculos! Orm você tem certeza?
    -Sim, sempre é preciso perder-se para depois encontrar-se, Dankhan!
    -Ótimo! Um mechalion filósofo.

                  Depois de alguns minutos, o transporte pára e Dankhan desce com um certo ar de contrariedade.

    -Vamos lá, pulguento! Fale coisa com coisa! Esquerda ou direita? Tanto faz... estamos aqui no centro do nada junto com o ponto de coisa alguma, mais algo?
    -Ele continua estressado, Maximillian.
    -Este sol terrível! Devia ter ficado em Mechapolis! Ed tinha toda razão! Dankhan chutava uma pedra enquanto falava.
    -Ei! Vocês aí embaixo!
    -Prossiga Caligaria.
    -A frente tem algo... uns quinze minutos daqui... noroeste...
    -Ótimo! Algo é sempre melhor do que o nada completo, falava Maximillian.
    -Em um deserto, há muitas coisas, jovem Dankhan.
    -Sim, concordo: areia e vento.

                  Fechando a porta, o módulo agora muda a direção e acompanha Caligaria. Os minutos tendem a passar rápido, Dankhan continua nervoso.

    -Tem certeza, Caligaria?
    -Sim, absoluta, tinha algo a frente...
    -Tinha?
    -Posso ter me confundido...

                  Novamente o transporte pára e Dankhan desce e senta no chão.

    -Exijo uma coordenada! Exijo um mapa! Até mesmo um guia!! Qualquer coisa serve!! Mas não mais este mechalion metido a filósofo!!
    -Que dureza, deveríamos ter escolhido outro piloto, jovem fundador.
    -Não quero ser inconveniente mas Orm, estamos há algumas horas neste deserto, poderia ao menos ser mais preciso?
    -Dá um tempo! Da última vez, eu também me perdi, ok?
    -Por isso você demorou tanto para voltar, Orm?
    -Claro! Por qual outro motivo seria?

                  Adiante Caligaria pousa.

    -Caso continue assim, a noite vai cair e nós ainda estaremos aqui, sem rumo.
    -Boa idéia! Quem sabe as estrelas podem nos ajudar?

                  Dankhan, ao ouvir a frase do mechalion, atira-se de vez na terra quente.

    -Ora vejam: ele quer consultar o zodíaco!! Talvez queira uma bola de cristal, também!
    -Realmente, vamos ter de voltar, falava Maximillian olhando na direção oposta.
    -Não volto mesmo! Chegamos aqui e vamos continuar! Dankhan levanta-se do chão. Volta rápido ao transporte, fecha a porta e acelera com tudo.
    -Agora, quem está vendo coisas sou eu! A frente tem algo, Maximillian.

                  Maximillian volta sua atenção a frente do transporte e as nuvens de areia que se dissipam lentamente, vão revelando um interior repleto de grandes rochedos.

    -Achamos, jovem fundador! Suspirava Orm.

                  Rapidamente, Dankhan manobra e desta forma pisa fundo no acelerador.

    -Calma! Calma! Dankhan.
    -Calma? Já tive até demais! Eu quero chegar lá, agora!
    -Nós também! Mas inteiros! dizia Orm agarrando-se à lataria do transporte.

                  Levantando uma grande nuvem de poeira, o módulo cruza a imensidão. Do alto, Caligaria tinha uma visão mais ampla: bem antes daquelas rochas havia um desfiladeiro, sendo assim Dankhan foi obrigado a parar antes.

    -Que alívio descer desta coisa! Na próxima, venho pelas minhas próprias pernas, resmungava Orm.
    -Agora, você entendeu por que vim voando?
    -HeHeHeHe! Sim Caligaria, perfeitamente.

                  A descida seria um novo problema: procurando o lado menos íngreme, começaram a descer. Dankhan foi mais rápido, Orm conseguiu dar um salto e Caligaria desceu voando. Maximillian demorou um pouco mais: pulando sobre pequenos platôs, fez seu caminho descendente.

    -Agilidade é tudo, nos tempos de hoje, hein jovem fundador?
    -Cautela é a palavra mais adequada, digamos assim.
    -Não existia este desfiladeiro, há alguns séculos atrás...
    -O deserto sempre muda e eventos deste nível são perceptíveis, julgava Maximillian.

                  Caligaria começou a olhar aquelas paredes de rocha pura: não pareciam ser artificiais... algo bem natural aos seus olhos.

    -Alguma idéia de como vamos entrar?
    -Hum... Dankhan pensou um pouco, sacou de sua pistola e atirou: o projétil bateu e... só.
    -HaHaHaHaHaHa!!! não vai ser com esse brinquedinho que abrirá! Vamos, afastem-se, eu mostro.

                  Acionando o seu sistema de ataque, Orm gerou uma rajada poderosa e a sólida rocha abriu-se como papel. A poeira demorou para baixar e, só então, o interior obscurecido se descortinou para todos.

    -Ruínas? Maximillian tentava compreender o que via.
    -Se não eram, acabaram de se tornar, ironizava Caligaria.
    -Ora, desculpem! Tentei não destruir tudo.
    -Ao menos deixou algo em pé, Orm.

                  O jovem fundador foi o primeiro que atravessou a passagem aberta pelo mechalion. Em seguida, vinha a confiante Caligaria. Orm e Dankhan eram os últimos da fila e sem conversar.

    -Hum... parece mais um túmulo. Tem mesmo certeza de estarmos no lugar correto?
    -Jamais me esqueceria deste recanto. Continuem em frente e atentem para o caminho.

                  Descendo por um corredor e adentrando mais, nossos exploradores continuavam com calma seu percurso. Orm modificou sua atenção e apertou o passo. Agora, liderava o caminho.

                  Maximillian acreditava em Orm mas Dankhan, não. E, sendo assim, de rabujento ele passava a muito desconfiado. Tanto que foi deixando pelo caminho, microlocalizadores com o que foi construindo um mapa daqueles túneis. A escuridão era opressiva. Orm ía na frente, iluminando o caminho que, a cada passo, mais estreito se tornava.

                  Contando pelo seu temporizador, Dankhan acreditava terem andado um pouco mais de meia hora. Seus localizadores estavam quase terminando quando Orm parou. Ao andarem um pouco mais, eles saíram daquele estreito corredor e descobriram um imenso abismo dividindo a caverna. O único elo, com o outro lado, era uma ponte de aparência nada confiável, feita de cordas e tábuas, ela indicava a única forma de atravessar.

    -A resposta habita o outro lado, fundador de mechapolis!
    -Mal enxergo o fundo, tem alguma idéia Orm?
    -Sim, caso caia, não se preocupe com nada.
    -Por que?
    -Não tem fundo, ou pelo menos, quem caiu não voltou para nos contar algo.

                  Neste momento, o jovem fundador indagou sobre a sanidade de seu maior amigo. Teria ele coragem de cruzar todo o percurso, apenas confiando naquelas medíocres cordas?

    -Podem deixar. Eu vou primeiro. Não tenho mais a perder do que vocês.

                  Dankhan caminhou até o início da ponte, respirou fundo e pisou na primeira tábua. A ponte balançou e começou a ranger. Com sua prepotência de sempre, ele deu o segundo passo, e o terceiro, e foi cruzando o caminho. Mesmo entre tantos rangidos, sua atitude é calma e concentrada.

    -Todos um dia, cruzam seus caminhos.

                  Maximillian permanece atento em Dankhan, quase não ouve as palavras de Orm. Somente quando Dankhan pisou do outro lado, ele sentiu a tensão passar. Aliviado, foi o segundo a cruzar. Enquanto caminhava, mesmo sem querer, acabou lembrando de várias passagens de sua longa vida: algumas eram boas, outras nem tanto e, sendo levado por seus pensamentos, continuou firme até o final onde Dankhan o recebeu.

    -Se aguentou o meu peso, pode suportar o de vocês também, venha Caligaria.
    -Deixarei o nosso gatinho aqui ir primeiro, vá Orm, cedo a minha vez para você.
    -Obrigado e com licença.

                  Dankhan não acreditava na possibilidade daquele monstro mecha conseguir dar ao menos um simples passo em cima daquela velha ponte de madeira. Mas acabou surpreendido: a ponte não só suportava o grande peso como quase nem balançava. Lentamente, o grande mechalion prosseguia, envolto em rangidos. Mas, quando estava próximo ao final, um abalo forte o surprendeu. Usando sua força e saltando dali, atingia o outro lado. Porém a ponte havia cumprido seu último objetivo.

    -Tudo bem, Orm?
    -Comigo está, mas a ponte já era.
    -Legal, para nós não tem saída.
    -Um caminho pode ser constituído de várias faces.
    -Caligaria??
    -Eu posso voar.

                  Orm agora fixou sua atenção em Caligaria e ao pular, ela planou por alguns breves segundos e, em seguida, algo a fez parar.

    -O que houve? Indagou Maximillian.
    -Não sei, melhor voltarmos, senti algo por aqui.
    -Deixe isso de lado, venha! Pedia Orm.

                  Ao continuar seu caminho, aconteceu uma explosão em uma de suas grandes asas e isso a fez perder totalmente o controle, fazendo-a despencar. Maximillian e Dankhan ficaram desesperados.

    -Vamos descer!
    -Não se intrometa, insolente!
    -Orm? Ficou louco? Ela caiu, temos de ir buscá-la!
    -Isso foi parte da mestra deste lugar. Só nos resta tentar escapar da escuridão.
    -Mas Orm, realmente não podemos fazer nada?
    -Maximillian, esqueceu dos ensinamentos? Cada um de nós tem um objetivo e por ele temos que viver. Este era o dela. O nosso está no final deste trajeto. Ainda vai confiar em mim? Não compreende, mas a minha dor e incrível. Trazer todos aqui e ainda enxergá-la cair. Tudo é o meu objetivo.

                  Maximillian demonstra uma insatisfação, mas ele compreendia o que aquelas palavras queriam dizer e desta forma, o jovem fundador de Mechapolis aceitou prosseguir.

    -Quanta loucura! Objetivo? Destino? Eu vou descer!

                  Orm acertou Dankhan com sua enorme pata, arremessando-o contra uma das paredes, que afundou com ele.

    -Desculpe-me, garoto! Mesmo não conhecendo o destino de todos, tenho certeza suficiente de que o seu não é cair naquele buraco. Acredite em mim e depois me agradeça. Antes de desfalecer, Dankhan olhou para Maximillian, estendeu sua mão e em seguida apagou.
    -Tudo isso era mesmo necessário, Orm?
    -Talvez... minhas ordens diziam para trazer a herança do tempo até aqui: cumpri meu último objetivo. Pode até me considerar um traidor, não culparei nenhum de vocês, aceito qualquer julgamento pela perda de Caligaria e também pelo ataque a este jovem.
    -Ajude-me a carregá-lo.

                  Maximillian ergue Dankhan e o coloca sobre suas costas.

    -E agora, sem nenhum problema, dite o nosso caminho, incitador!
    -Quanto tempo fiquei sem ouvir alguém me chamar disso.
    -Jamais esqueci!

                  E assim, Maximillian carregando Dankhan em suas costas e Caligaria perdida naquele abismo, Orm só poderia levá-los até o final daquele estranho caminho.

    -Quanto mais até sairmos? Indagava Maximillian.
    -Talvez pouco. Jamais percorri todos os caminhos. Mais a frente há um local para onde quero te levar.
    -Mais surpresas?
    -Quem sabe...
    -Mais problemas??
    -Talvez...
    -Alguma resposta???
    -Realmente não sei.
    -Definitivamente, hoje não é o meu dia. Primeiro nos perdemos naquele deserto. Depois, Caligaria se foi e você nocauteou Dankhan. O que mais resta para acontecer?

                  Orm permaneceu calado o resto daquele trecho. Maximillian continuava a pensar sobre a perda de Caligaria e, também, estava preocupado com os danos em Dankhan. Ele continuava desligado. De repente Orm parou.

    -Aqui, falou o mechalion.
    -Uma porta?
    -Sim. Uma entre muitas. Mas para nossa Mechapolis, esta é a única a ser aberta por seu fundador: vá em frente!

                  Ao tocar aquela gigantesca porta, sentiu o frio invadir sua mente.

    -Quanta solidão! Um frio tão eterno... tao repugnante...
    -Caso acredite não valer o sacrifício, sugiro que largue, mas caso o faça, as próximas atitudes que tomar, serão mais difíceis.

                  Mantendo-se firme, Maximillian empurrava a porta, sem tentar compreender o motivo para aceitar tal sacrifício. Continuava abrindo e, passa a passo, a porta cedia. Quando menos imaginava conseguir, ela cedeu de forma súbita e estrondosa, fazendo-o dar vários passos para frente. Quando abriu os olhos, viu uma imensa e estagnada ampulheta.

    -Orm?
    -Não está mais aqui...
    -O que deveria existir além desta ampulheta?
    -A moradora desta dimensão.
    -Como assim dimensão?
    -Quando cruzamos a ponte, não apenas saímos de nossa dimensão, mas viemos apenas para encontrá-la aqui. Vamos continuar: temos mais uma porta.
    -Orm, deixemos tudo de lado porque eu quero ouvir de você qual é o segredo deste lugar!
    -Paciência jovem fundador, compreenda melhor a essência deste tempo, investigue suas memórias e ache a resposta.
    -Dankhan pode ter alguma razão, você enlouqueceu!
    -HaHaHaHaHa! Acredita mesmo? E por que me seguiu? Mais louco quem é? Aquele que segue o louco ou o louco que mostra o caminho?

                  Maximillian afasta-se de Orm. Andando pelo grande salão, não conseguia desviar a atenção da ampulheta.

    -Sempre achei tudo uma loucura, desde quando você voltou. Sinto que errei ao desativá-lo. Se eu o tivesse destruído, não estaria vivendo este momento absurdo!
    -Mas por algum motivo, não o fez. Qual foi?

                  Olhando fixamente para o imenso objeto, Maximillian por alguns momentos viu a areia fluir e tornar-se dourada. Em sua mente, brotou um nome improferido há séculos. Talvez jamais conhecido por alguém. Voltou seu olhar para Orm, sua voz ficou alterada e, criando coragem, repetia o imponente nome.

-A dama do tempo...