Mechapolis
14 de Setembro de 2004
By Lord Eternal
Capítulo V : Segredo abissal
Palácio
A chuva caía severamente sobre Mechapolis, as afirmações de Caligaria
ainda estavam bem ativas na mente de Maximillian que se torturava tentando
entender os reais motivos pelos quais a raça os criara e por que os havia
deixado ali? Pretendiam eles voltar?
Absorto com tantas perguntas e nem tantas respostas, o jovem fundador
passa os últimos dias quase emudecido sem andar por sua amada Mechapolis, sem
querer nada, concentrado em seus pensamentos. Arman ainda vai até seus aposentos
e passa pouco tempo ao lado de maximillian que sempre fica sem pronunciar uma
palavra. É, até mesmo difícil diferenciar se ele dorme ou está acordado.
-Fale algo Maximillian!
-Não tenho nada para dizer Arman, apenas pensar...
-Três semanas já se passaram, você fica enclausurado aqui, torturando-se.
-Em todos os séculos, eu tentei não dar importância para nossa real criação
mas, agora, depois de conhecer a jovem Caligaria, não posso mais virar
minhas costas, preciso tomar uma decisão, Arman.
-Revele seus pensamentos.
-Meus pensamentos? O que mais dominaria minha mente após os fatos
narrados por Caligaria?
-Talvez eu até saiba, mas duvido de minhas idéias, desta vez.
-Durante tanto tempo, ficamos nos esquivando do passado, penso não ser mais
concebível ignorar. dizia Maximillian olhando pela janela.
-Não existe forma de argumentar com você! disse Arman, abrindo a porta
e saindo enfurecido dos aposentos de Maximillian. Suas conversas não mais têm
sido civilizadas e seus ideais, pela primeira vez em tanto tempo, convergem
para a atual situação, em que toda Mechapolis está envolvida.
Hangar:
Durante as três últimas semanas, Dankhan permaneceu isolado de todos,
apenas focando seus esforços em recuperar sua nave. Ed ajuda-o a reestruturar
o sistema de D.N.A.S.
Dankhan teve de encarar uma triste realidade: sua nave tinha sido
extremamente danificada desta vez. Caligaria veio ajudar, ela de certo modo
sentia-se culpada por aqueles estragos.
-Maximillian anda muito estranho, jamais o vi desta forma, exclamou Ed.
-Talvez o relato final de Caligaria, seja o pivô de uma explosão antiga.
-Explosão?
-Histórias muito antigas, Caligaria! Não por sua culpa, exatamente.
-Então, realmente, vocês não sabem por quem foram criados?
-Pelo visto não Caligaria, um povo sem memória, disse Ed.
-Vai com calma Ed, temos memória sim, apenas que nem tudo foi devidamente
registrado, muitas lacunas permanecem.
-Hum, e agora? O que pretende fazer Dankhan?
-Eu? Você fala de uma maneira tão estranha Caligaria, eu nada tenho
com tudo isso! Sou apenas o Capitão da Guarda: meu dever é manter Dr. 59
e Caladius à distância.
-Somente isso mesmo Dankhan?
-Sim, Ed. Vamos mudar de assunto. Vocês dois ficam me perturbando, vamos
com este serviço, quero terminar D.N.A.S. ainda este ano.
Water.Net
King Merejo soube dos últimos acontecimentos em Mechapolis e, também,
ficou a divagar sobre o assunto, deixando quase todos os afazeres nas mãos de
Amon. Sempre que vagava um tempinho, eles discutiam como ajudar a todos.
Percorrendo todas as possibilidades, com qualquer idéia sempre levada
a sério e explorada ao máximo, Amon tinha sugerido novas pesquisas pelo oceano
com o que concordou King Merejo. Decorridas duas semanas de seu retorno, nada
tinha sido encontrado. Além de serem vastos demais, os oceanos mudavam sua
estética todos os momentos, por causa de suas correntes.
Dentro de seu palacete, King Merejo e Amon têm uma conversa mais séria
para uma rápida solução.
-Ainda não consegui acreditar! Nossas vidas vão entrar em colapso!
-Eu sei, Amon! Caligaria tem sido uma nova descoberta a cada dia,
revelando um pouco de nosso passado. Não podemos medir esforços nesta
hora tão decisiva.
-Se ela tivesse mais dados para nos passar, poderia ser de maior valia.
Dizia Amon.
-Por causa dos estragos em D.N.A.S. vocês não podem nem retornar ao planeta
natal de Caligaria, quem sabe lá teria alguma nova resposta.
-Isso é uma opção impossivel! D.N.A.S. continua avariada ao
extremo. Nem mesmo com nossos recursos, foi possível para Dankhan terminar de
reconstruir a nave, Amon ponderava.
-Maximillian não aceita falar nem mesmo comigo! Talvez seja melhor você
ir até Mechapolis! Fique por lá uns dias. Isso poderá ajudar.
-O senhor acha mesmo prudente?
-Claro! Indo para Mechapolis, eu não preciso ouvir as desculpas de Arman.
Coitado! Ele nem sabe mais o que dizer quando recebe meus contatos; começo
a me sentir inoportuno.
-Duvido, senhor! Maximillian sempre teve um grande apreço por sua amizade.
-Disto jamais duvidei. No entanto, quando o jovem fundador parece absorto
nem a mim ele ouve.
-Posso preparar o transporte?
-Vá, Amon. Leve consigo peças para D.N.A.S., tropas de Shark Bots e o que
mais julgar necessário. Confio em suas decisões. Tem a minha permissão para
qualquer ítem que possa ajudar. Nada será poupado.
-Sim. Vou, agora, aos preparativos!
Deixando seu monarca solitário no palacete, Amon andava pelas vielas
de sua cidade: um local diferente. Rodeada por grandes abóbadas, por dentro é um espetáculo perfeito começando com as plantas mais simples e indo até a
grande variedade de seres aquáticos. Interligadas por seus corredores, onde
toda uma população dedica sua vida ao desenvolvimento e à cultura, pela
preservação dos mares e oceanos.
Antes de se dirigir aos transportes, Amon passou por seus aposentos,
a fim de pegar uma cópia com os dados coletados da mesma câmara onde Caligaria
tinha sido encontrada. Ele pensava em traduzir o máximo possível durante sua
viagem até Mechapolis. Isso ajudaria a passar o tempo, com calma.
Ao pegar suas coisas, Amon voltou seu olhar para o interior do quarto:
Procurava incertamente por algo. Por sua mente passavam grandes lembranças
daquele lugar e também de sua cidade.
Mas ele realmente queria morar em Mechapolis. Sempre tentou criar
coragem. Jamais teria tamanha ousadia em pedir algo semelhante para qualquer
um de Mechapolis. Encerrando essa reflexão, fechou a porta e se encaminhou
para os setor de transportes onde um grupo de Shark Bots o aguardava. Ao
chegar, sentiu uma ausência. Ninguém por ali que tivesse vindo se despedir
dele. Era sempre assim...
Deixando para trás sua tristeza, ele adentrou o transporte.
Praia
Voando e pairando pelos céus, Caligaria exercitava sua mecânica.
Então viu a calmaria do mar sendo quebrada por um dos transportes de
NET.Water. Prontamente ficou a observar: de lá saía o jovem Amon.
-Não acha tarde para uma visita?
-Hã? Caligaria! Você me assustou!
-Algum problema em seu mundo, mecha peixe?
-Mecha peixe, hehehehehe... combina com o que somos.
-Desta vez veio sozinho?
-Sim. Julguei melhor deixar os shark bots. Não preciso de alguém a
meu lado, toda hora.
-Hum... ainda tentando mostrar a todos que já cresceu...
-Tem visto o jovem fundador?
-Últimamente, não. Arman é o único que ainda consegue conversar com ele.
-King Merejo já havia me informado disso.
-Mas não vejo motivos para você não tentar.
-E Dankhan?
-Trancado em seu hangar. Este eu vejo mais vezes, afinal, estou ajudando
nos consertos daquela nave. Incrível aquilo voar!
-Realmente, está bem velha, mas ele gosta assim mesmo, fazer o quê?
-Absolutamente, nada. Quando alguém gosta de velharias, não há forma
de deixar de lado.
-HaHaHaHa! Coisa velha é o que está no interior da casa de Arman. É quase um museu aquilo tudo. Por favor, não diga isso a ele pois que
o ofenderia muito.
-Sabe? Consegui traduzir praticamente tudo que registrei em sua
câmara. Gostaria de ver?
-Talvez mais tarde. Estou cansada hoje!
-Certo. Caso ainda queira falar com Maximillian hoje.
-Vá em frente mecha peixe!
-Olha... eu ainda termino levando para o lado pessoal.
Deixando Caligaria sozinha, Amon agora rumava em direção aos
portões do sul, eles ainda permaneciam abertos; quando chegou às ruas,
todos estavam dormindo, os postos de vigilância funcionando. Ao ser
registrado, Amon avistou Arman que caminhava solitáriamente.
-Arman!! Arman!! Me espere!!
-Amon?
-Arman!Você ainda está acordado?
-Estou mais impressionado por vê-lo tão tarde aqui. Chegou quando?
-Ainda há pouco. Deixei o transporte lá na praia.
-Está tudo bem em NET.Water?
-Sem problemas. Eu vim para contar grandes novidades!
-Boas notícias tem sido parcas aqui, em Mechapolis.
-King Merejo mandou avisar: amanhã começará as novas buscas nos oceanos.
NET.Water pretende achar mais pistas sobre nosso passado.
-Isso é ótimo!
-Posso falar com Maximillian?
-Hum! Claro que sim. Venha comigo. Maximillian não está em seus aposentos
e, sim, num lugar diferente do casual.
-Tenho também as traduções da câmara em que residia Caligaria.
-Perfeito, conte-me tudo no caminho!
Amon, contava as novidades para Arman enquanto ambos caminhavam em
direção ao palácio. Não estavam tão distantes e logo chegaram. Ao entrar,
Arman indicou um novo caminho: os porões.
O local era extremamente úmido pois nem mesmo a luz do dia penetrava.
Diferentemente do nível superior, as paredes não eram tão trabalhadas e o
piso também não brilhava. Pelo contrário, o visgo tomava conta de quase tudo.
Continuando a descer mais um nível, por degraus muito escorregadios,
Amon finalmente atingia um dos locais mais inacessíveis de Mechapolis, onde
o próprio tempo não exercia suas forças: o lar eterno de um mecha praticamente
esquecido por todos ou muito lembrado para o líder.
Arman, acionou o sistema de abertura das grandes portas, feitas de
pedra e aço, elas rangiam alto ao serem abertas. Amon viu rapidamente o jovem
fundador, mas ao fundo, existia um ser, com tons do ocaso, com uma aparência
felina, era de fato um ser quadrúpede, possuindo uma aparência desgastada
que revelava quanto tempo tinha passado após sua última ativação. Era algo ímpar,Amon em sua jovem vida, jamais tinha visto um ser como aquele.
-Maximillian? Indagava o conselheiro.
-Talvez devamos voltar amanhã, Arman.
-Não tenha medo, Amon.
-Maximillian?!?!
-Deixe de lado, volto amanhã, não tenho pressa nenhuma.
-Jovem fundador!! Você não pode deixar de receber um dos seus mais leais
súditos: Amon veio de muito longe, trazendo uma mensagem do grande monarca
King Merejo de NET.Water.
Sendo assim, Maximillian enfim virava-se de frente para ambos. Com
voz imponente, enfim falava.
-Seja realmente importante, Arman!
-Senhor Maximillian, boa noite e mil desculpas, realmente não queria de
forma alguma interromper absolutamente nada, amanhã poderemos conversar.
-Não vejo nenhum problema com você Amon, pode dizer, qual é a mensagem?
-King Merejo me enviou a fim de lhe avisar sobre as novas buscas
nos vastos oceanos.
-Ótimo, fico feliz em ouvir isso.
-E, de minha parte, eu traduzi quase totalmente os dados obtidos na mesma
cãmara onde achamos Caligaria e, também, nos corredores. Desculpe-me, caso
tenha feito algo errado.
-Não vejo nada de mal em suas ações Amon, agradeço duplamente. Amanhã,
gostaria de ler tudo com calma.
-Sim senhor. Posso me retirar agora?
-A propósito, tenho de pedir desculpas a você.
-Por que senhor?
-Por estar sempre em falta com você. Desde a sua criação, você tem vindo
aqui e ,sem pedir nada em troca, sempre nos ajudou. Quando você chega, noto
algo terrível, Você realmente não tem um lugar para ficar: sempre ficando de
favor no hangar de Dankhan ou nos alojamentos públicos e, até mesmo na casa
de Arman. Realmente, isso não faz sentido, perdoe-me.
-Ora, Senhor! Não há que pedir desculpas. Esqueça isso por favor!
-Sua humildade sempre será o seu maior escudo jovem Amon. Arman? Agende
para amanhã: providenciar aposentos condizentes para Amon e Caligaria aqui,
neste palácio. Chega de favores para estes seres tão valiosos.
-Certo, Maximillian.
-Muito obrigado, jovem fundador.
-Podem ir, agora.
-Sim, Maximillian.
Despedindo-se de seus amigos, Maximillian virou-se para olhar aquele
inquietante ser. Enquanto alguns apenas pensam, outros têm motivos de sobra
para comemorar. Correndo e saltando pelas escadarias, o jovem Amon comemora.
-Finalmente!! Uhuuuuuuuuuuuuu, vou ter um local só para mim nesta incrível
cidade!!!
-Calma Amon, vai terminar quebrando alguma junta!
-Deixe de lado isso Arman, hoje tenho de comemorar! E muito!! Fui!!
Correndo pelas silenciadas ruas, o jovem Amon, praticamente acorda
a todos, com sua afoita comemoração.
Hangar
Dankhan para se distrair, jogava cartas com Ed...
-Está ouvindo algo, Ed? indagou Dankhan.
-Hum... alguém está gritando? Respondeu Ed.
-Sim! Acha melhor irmos ver?
-Esqueceu? Somos heróis apenas no horário comercial, não nos pagam extra,
nunca. Ed sorria terminando sua jogada
Adentrando o hangar, o jovem Amon, está aos pulos!
-Amon!!!!
-Amon? Cara, que demais, o que veio fazer aqui? perguntou Dankhan.
-Vocês não sabem da última! Eu ganhei um quarto só para mim!!
-Veio a esta hora da noite somente para contar isso?
-Ah é, hehehehehe, trouxe um comunicado para Maximillian.
-Parabéns! Puxe logo uma cadeira e vá contando as novidades.
-Adora mesmo uma fofoca, hein, Ed?
-HeHeHeHeH! É a idade, meu filho! Quando ficamos velhos, continuamos
gostando de boas novas.
-Mas e D.N.A.S.? Precisa de muitos reparos?
-Quase no fim. Voltava Ed sua atenção para as cartas.
-A lataria ficou mesmo arranhada. lembrava Dankhan.
-HaHaHaHaHaHa! Este louco, espatifado, quase morto e, mesmo assim, ainda
pensava em não arranhar a lataria.
-HaHaHaHaHaHa! Eu soube disso Ed. Você é muito hilário, Dankhan.
-Peguem leve, não estava em minha plena razão.
-Sei, para mim estava em sua razão completa.
-Viu Caligaria?
-Deixei-a na praia.
-Ultimamente, nada tem sido como antes...
-Inda há pouco, falei com Maximillian.
-Ele recebeu você?
-Não, Ed. encontrei Arman pelas ruas e ele me levou até aos porões do
palácio.
-O quê?!?!?! Você entrou lá? Vamos, conte tudo! Dankhan ficava surpreso.
-Porque tanto espanto? Nunca estiveram lá?
-Maximillian não permite nenhuma visita ao subsolo do palácio.
-Não tinha muita coisa, apenas um mecha felino muito velho e enferrujado.
-Mecha felino????
-Sim, Ed, um quadrúpede! Nunca tinha visto um igual.
-Hum... vamos ver se existe mais algo para descobrirmos. Talvez, este seja
o maior segredo do palácio.
Dankhan levantou-se, foi até o seu sistema e, buscando pelas
memórias, chegou aos relatos históricos. Analisando, acuradamente, encontrou
uma curiosa passagem que começou ler em voz alta.
-" Mechalions: grandes seres quadrúpedes, possuidores de uma força
descomunal, uma das mais antigas espécies de nosso planeta, agora extintos..."
-Não tem nenhuma figura?
-Deixe eu ver, talvez aqui, está carregando.
-Isso mesmo! É semelhante a isso, o que vi lá, em baixo.
-Ei, Dankhan! Vamos lá. Ed pisca.
-Invadir o sistema?!?!?!
-Claro, é por uma boa causa, sempre tem algum bug no sistema.
Assim, os dois, inseparáveis amigos, começaram a pesquisar todo o
sistema da jovem Mechapolis, abrindo as portas mais vulneráveis e escapando
dos scanners de plantão: nem encontraram grandes problemas.
-Achei algo!
-Mostre, Ed! Pediu Amon.
-Ouça: " Mechalion Orm, um dos mais valentes mechas recuperados e
consertados por Ormacimus "
-Este nome é conhecido, Orm! Sussurrou dankhan.
-Sim, Ed! O legendário mechalion Orm, era o terceiro em comando, suas
façanhas são repetidas de geração para geração. Orm foi um valente mecha,
apoiou as idéias de Maximillian e ajudou a guiar nosso povo, daquele mundo
oculto em direção à ensolarada pradaria.
-Não sabia deste seu lado historiador, Amon.
-Nunca me perguntaram mas aquele mecha não parece ser real. Ele é
mais parecido com uma estátua de pedra, do que realmente um mecha.
-Mais algo, Ed?
-" ...em uma noite de tempestade, Mechalion Orm partiu rumo ao deserto
e nunca mais foi visto... " -Assim encerra o arquivo, Ed terminava de ler.
-Isto esclarece muitos fatos, disse Amon.
-Sua raça é cheia de mistérios... A própria Caligaria, eu até mesmo chego
a dizer que ela é a personificação do mistério.
-Dankhan? Ficou calado? perguntou Amon.
-Mechalion Orm... eu me lembro vagamente de uma ocasião em que nos vimos.
-Impossível, Dankhan! Ele desapareceu há mais de dois séculos, quase três.
-Nada é impossível, meu amigo Amon, você sabe muito bem do que eu falo.
-Estou voando nesta conversa de vocês. disse Ed.
-Segredos, Ed, muitos segredos regem nossa existência.
Neste breve momento, adentrava Caligaria.
-Boa noite a todos.
-Caligaria, enfim nosso grupo está reunido. Entre! Temos muitas
novidades!
-Desculpe, Caligaria. Não quis ofender.
-Ok, Ed. Nem pense nisso. Até concordo com você. Maximillian continua
naquela
câmara. Eu vi o ser!
-Agora todos já entraram lá, menos nós: eu e Ed.
-Quando cheguei, ele já estava fechando a porta, foi difícil divisar o
ser.
-Vamos à casa de Arman, ele poderá nos contar algo.
Assim, os quatro saíram do hangar para ir à casa de Arman. Chovia
torrencialmente: as ruas estavam inundadas o que jamais seria um
obstáculo para os jovens mechas.
-Quase um dilúvio, disse Ed.
-Quer ficar, Ed? perguntou Dankhan.
-E perder a festa? Jamais! Mesmo correndo o risco de pegar uma gripe,
eu vou com vocês!
Amon pegou Ed e colocou em um de seus bolsos.
-Pronto, Ed. Assim você não se molhará.
-Obrigado, Amon.
-Quanta preocupação com um caramujo!
-Ainda estou ouvindo você, Dankhan!
-Deixem de lado as brigas e vamos logo!
-Tá bom! Tá bom! Caligaria é muito mandona.
-Quer saber? Você é um preguiçoso!
-A noite vai ser longa ao lado destes dois. Concorda Ed?
-Plenamente!!
Arman sempre viveu em uma casa simples que destoava do resto de
Mechapolis lar dos maiores arranha-céus, vale de aço e concreto e muita
energia. Porém, uma fachada feita de madeira com janelas de vidro e uma
acolhedora varanda residem neste mundo. Em seu interior, não mais do que
seus amados livros e poucos móveis. Mas há um porão, onde Arman guarda o
restante dos manuscritos e livros mais antigos: um conteúdo dedicado à
busca do conhecimento...
-Não escuto nada.
-Quieto, Ed!
-Silêncio os dois! Ordenava Caligaria.
-Estou falando! Ninguém acredita em mim? retrucava Dankhan.
-Dankhan! Chamava Amon.
Espreitando pelas janelas, os quatro amigos tentam captar algo.
A voz era de Arman e, ao mesmo tempo, também se ouvia um pouco do jovem
fundador.
-Arman! Realmente chegou a hora. O momento em que Orm nos relatou.
-Acredita mesmo?
-Sim! É chegada a bifurcação do tempo. Uma escolha se nos apresenta e
será definitiva, deverá ser levada até o final.
-Mas ainda não temos nada preparado! dizia Arman.
-Amanhã, os esforços serão redirecionados e como foi da última vez,
este mechalion será novamente ativado.
-Estou desolado, jovem fundador! Jamais pensei que este dia estivesse
tão próximo.
Neste momento, Maximillian um barulho do lado de fora da casa.
-Vocês, entrem!
-Xii, ele percebeu.
-Vamos logo! Saiam da chuva!
-Obrigado, Dankhan. Ironizava Caligaria.
-Não foi minha culpa, (atchim) Ed se lamuriava.
-Sempre sobra para os mais velhos, disse Amon.
E assim, nossos pretensos ocultos amigos tiveram de rodear a
casa e adentrar, encharcados de chuva.
-Jamais aceitei alguém ouvindo por trás das paredes.
-Desculpe Maximillian, apenas estamos tentando ajudar, disse Ed.
-Eu já soube da invasão ao sistema. Parabéns Ed e Dankhan, vocês
continuam insuperáveis nisso.
-É... somos bons mesmo... resmungava Dankhan.
-Não é motivo para vaidade!!
-Ahan... Dankhan se encostava na parede, cruzando os braços.
-Então Orm está escondido nos porões do palácio?
-Sim, Amon! Aquele que você viu é mesmo o mechalion Orm. Nos últimos
duzentos anos, ele permaneceu ali, em stand by. Talvez Dankhan não se
recorde mais dele.
-Eu deveria?
-Se você pensar com calma, vai recordar do passado.
-Odeio lembrar do passado.
-Maximillian, nós já sabemos de muitos fatos. Inclusive da ida ao
deserto. lembrava Amon.
-Sim, ele saiu naquela direção. Sinto informar, mas nem tudo vocês
sabem, diferente do que está registrado, ele retornou.
-Continue Maximillian, isso tudo deverá ser revelado. pedia Ed.
Maximillian andou até uma das janelas, Dankhan puxou uma cadeira,
Amon deixou Ed em cima da mesa e também se acomodou, Caligaria continuou
em pé e Arman foi até sua escrivaninha. Todos estavam prontos para ouvir
o relato.
-Quando Orm retornou, estava mudado, não só na aparência... havia
mudanças em sua mente... discutimos muito no período que sucedeu sua
chegada. D. foi testemunha de nossas altercações. Enfim, ele me fez um
pedido: queria ser desligado. O tempo em que vivera no deserto o fez
aprender muito sobre todos nós. Por esse motivo, trouxe um segredo que
tanto não poderia revelar como não conseguiria viver com tal informação
só para si mesmo. Numa decisão unilateral, pediu para ser desligado.
-E você o fez? perguntou Ed.
-Não tive escolha. Mas, até hoje, sou torturado por essa minha decisão:
Sempre me questiono se deveria ter aceitado. Mas, finalmente, poderei me
redimir. Arman! Exijo o retorno de Orm. Ele precisa conhecer Caligaria.
-Por que? indagou Caligaria.
-Ora, vocês são muito parecidos, todas as peças agora encaixam, pelo
menos entendo melhor seus segredos e talvez jovem Caligaria, você seja
um deles.
-Você tem idéia do que realmente ele encontrou? Perguntou, Amon.
-Um absurdo! Ele encontrou algo absurdo naquele deserto! Algo em que
nem eu consegui acreditar. Mas Gun Smith o compreendeu perfeitamente.
Isto foi o principal motivo de nossa discussão...