Mechapolis Capítulo III : Enfocando o tempo Rapidamente a D.N.A.S. cruza a imensidão do espaço, retornando com
uma velocidade única, carregando não só sua tripulação como também uma das
maiores descobertas já feitas: enterrado no interior de uma alta montanha,
vivendo em um planeta desértico, um ser muito misterioso foi encontrado 112 horas após a partida de D.N.A.S.: Centro de Comando -Senhor! Já o temos no scanner. E assim a D.N.A.S. adentra a atmosfera de seu planeta. Ed percebeu que Amon respirou mais aliviado, só em ver aquele esplêndido mar novamente. Ao mesmo tempo, Dankhan mantém sua atenção focada na cápsula, enquanto um dos guardas pilota sua nave. Desde o encontro daquele ser, Dankhan mudou drasticamente, parece que, enfim, encontrou algo a ser levado em maxima consideração mas, nem ele mesmo sabe os motivos reais para tanta atenção. Hangar Maximillian e King Merejo, aguardam a chegada de D.N.A.S. Maximillian está muito sereno. Já o monarca prova a todos sua impaciência. -Aonde eles estão? Está demorando demais! Estes quinze minutos jamais
terminam! Esbravejava Merejo. De repente a atenção foi voltada para o céu. Enfim, D.N.A.S. sendo guiada com perfeição adentrou o seu hangar e lentamente pousou, de forma gentil e delicada. Dankhan não queria, por motivo algum, causar nenhum dano para aquele ser. Ambas as portas se abriram, Amon foi o primeiro a descer seguido dos guardas e a porta de carga também descia: de lá brotava Dankhan. -Dankhan! Como está a situação? Rapidamente uma grupo de guardas adentrou o pequeno compartimento de carga, carregando consigo uma bateria para transporte, acoplaram-na à base da cápsula e, assim, começaram a retirada do ítem. Quando o jovem fundador viu o que descia, ficou estarrecido. Ao passarem em sua frente, pediu um momento, abaixou seu imenso corpo, enxugou o vidro e pôde assim ver, pela primeira vez, aquele ser misterioso. -Esplêndido! Exatamente como em meus sonhos! Obrigado, Dankhan, por ter
ido buscá-la. Então, a cápsula foi colocada em um dos transportes e o jovem fundador a acompanhou até o laboratório 16, partindo com pressa. -Sonhos! Até hoje não entendi o que, exatamente, são. Afirmou Merejo. Dankhan pediu licença, entrou em seus aposentos e levou consigo o pequeno Ed: ambos estavam exaustos. Dankhan tentou descansar durante a volta. Porém, jamais conseguiu confiar plenamente que outro mecha pilotasse sua nave e, dessa forma, ele, por várias horas, ou pilotava ou se mantinha atento às leituras da cápsula.Agora em casa, finalmente, poderia descansar de vez. King Merejo, vendo que ficou completamente sozinho, partiu em direção aos seus aposentos; de certa forma, também estava cansado. Nos últimos dias, ele vigiara os céus dia e noite e, algumas vezes, até foi necessário mandar buscar uma grande manta para cobrir o monarca, ele não aceitava dormir em seus aposentos. Laboratório 16 Quando Amon chegou com o transporte já era aguardado por Arman com uma equipe de prontidão que olhava a parada total. Amon logo desceu e ajudou a carregar a imensa cápsula para dentro. Arman também ficou espantado quando olhou mas não teve coragem de se aproximar para ver mais de perto, ele apenas deu passagem aos carregadores. Maximillian desceu por último. -O que achou de tudo Arman? Hangar -Ed? Você está mesmo dormindo? E, assim, ambos voltam a ficar em silêncio, fingindo estar dormindo mas, na verdade, seus pensamentos continuam martelando sobre o enigmático interior. Nesse instante, ouvem batidas na porta. -Pode entrar! Está sempre aberto! Duas semanas após a chegada de D.N.A.S.: Laboratório 16 -Alguma novidade Arman? Hangar. -O dia está bem tranqüilo, hoje. Maximillian sai do hangar, deixando Ed perplexo. Ele nunca tinha presenciado uma conversa tão civilizada por nenhuma das partes. Os debates de Dankhan com Maximillian eram, sempre, tão terríveis e comentados por toda a grande Mechapolis mas, desta vez, depois de tantos atritos, tiveram uma conversa sensata. Ed achou melhor não fazer qualquer comentário. Laboratório 22 -Sistema concluído. Transferência completa. Prontos para retornar ao
ponto onde paramos. informou um dos guardas. Finalmente, Arman sai do laboratório 22. As ruas agora caladas, a madrugada profunda. Andando pelo silêncio e voltando seus pensamentos para os últimos acontecimentos e tentando ao mesmo tempo espairecer, somente lhe resta observar a noite, o céu estrelado, e as imensas luas flutuando entre nuvens. O dia foi terrível e o seguinte já demonstra isso desde cedo, restando ao velho conselheiro retornar a sua moradia humilde e, definitivamente, descansar. Dia seguinte, ruas de Mechapolis Totalmente diversas da noite anterior, agora as ruas estão muito tumultuadas, a aproximação de uma nova frota de War Robots tirou todos, cedo, de suas camas. Arman encontra-se no centro de Comando. Maximillian ficou próximo a um ao portão do leste. Dankhan ainda vinha correndo no final da rua. -Maximillian! Ofegante, ele finalmente chega aos portões. Depois de tantos ataques, olhar do alto das muralhas e antever a aproximação do combate, tornou-se algo comum. Maximillian acredita que estas ameaças são apenas para atormentar a todos. Desta vez, a frota de War Robots não tem a metade das unidades do último combate. O embate foi pouco feroz, a jovem Mechapolis perdeu alguns guardas, mas isso não é nada comparado aos antigos combates. Dankhan retornou ao seu hangar. Apos o último combate, Arman retornou ao lab 22, na esperança de de dar início à remoção do explosivo. Longos dias toda Mechapolis aguardou e, com o término de mais uma longa semana, finalmente aconteceu algo diferente... Laboratório 22 -Menos de trinta segundos para tocar o alvo! Enfim, Arman conseguiu desarmar o perigo, sem ter necessidade de
romper os lacres da cápsula, utilizando um petaflop de velocidade para
calcular toda a seguinte operação, evitando, ao máximo, qualquer dano para
aquele ser. Apesar das leituras com oscilação no sistema de hibernação, -Maximillian, conseguimos desarmar! As travas não estavam tão endurecidas por causa dos agentes do
tempo. Usando uma serra, a equipe de Arman conseguiu, de maneira mais
rápida, abrir aquele envoltório de puro aço. Ao término, a grande tampa foi
atirada ao chão e todos os presentes olharam, finalmente, o ser por inteiro. Ao terminar de encaixar os cabos, Dankhan, com Ed e Maximillian, adentra o lab 22: era possível identificar suas reações ao baterem os olhos naquele ser finalmente fora da cápsula. Maximillian não ficou muito impressionado, mas o jovem Capitão da Guarda, realmente mostrava um abalo. -Arman? Dankhan aproximou-se de um dos sistemas a sua frente e começou a decodificar as portas. Durante seus anos de estudo com D. Gun Smith aprendeu a programar com perfeição e, ao mesmo tempo resolver aquele tipo de problemas. Maximillian e Arman notaram uma dedicação vinda de Dankhan, raramente ele demonstrava suas habilidades... -Tenha calma, Dankhan. Você está passando por muitos protocolos! -'Voilà'! Com vocês: a memória principal! Em breves minutos, um guarda retornou com um velho e empoeirado livro em mãos. -Senhor, é este? Deixando o livro em pé a frente de seus olhos, Ed pode começar a ler. -Exato! Confere! Agora, só precisamos traduzir. Posso continuar? Manhã do dia seguinte, Lab 22. -Senhores? Rapidamente Dankhan acionou seu comunicador e falou diretamente com o Centro de Comando. Um ataque de grande proporção aproximava-se de Mechapolis. Maximillian, Arman, Dankhan e Ed partiram do lab 22, deixando sozinha a misteriosa Caligaria. Muralhas -Suponho que sejam mais de 2000 unidades de War Robots. Brotando tanto dos céus como da terra, eles se aproximavam aos milhares. Desta vez, em uma cor diferente: não mais o neutro bege e, sim, uma cor vinho inquietante sendo vistas pela primeira vez em um ataque. Deixando Arman muito abalado, no centro de Comando. -Jamais os vi. Não faço a mínima idéia de como lidar com esta situação. Dankhan deixou o Comando e partiu em direção ao campo de batalha, onde um acirrado combate tirava o fôlego de Mechapolis. Usando uma nova estratégia os pequenos War Robots conseguiam deixar os guardas atordoados. Dankhan, temendo o pior, partiu com a D.N.A.S. conseguindo deixar o combate mais equilibrado. Porém, do lado oeste, uma das partes mais afastadas, uma figura consegue quebrar o código de segurança de uma saída de emergência e, assim, adentra a jovem Mechapolis. Esgueirando-se pelas sombras, rapidamente, cruza as mais longas avenidas, agora desertas, seus passos indicam onde ele deseja chegar: o lab 22. Por causa do combate, Mechapolis ficou rendida ao seus sórdidos planos. É, indubitavelmente Dr. 59. -Caladius! Vocês devem manter todos ocupados!! Usando seus métodos perversos, 59 descobriu a existência do misterioso ser e, por este único motivo, decidiu apoderar-se para reprogramá-lo em seu único benefício. Sem obstáculos, ele adentrou o lab 22, usando o elevador desceu até o último subsolo e, lá, ao abrir as portas, deparou com seu objetivo: apressadamente, deu início ao processo de reativação. -Vamos! Vamos logo! Acorde!! Enquanto sua algoz buscava qualquer sinal de vida também suas conexões para melhorar seu equilíbrio e manter a mira mais estável. Naquele instante tão difícil, Dr. 59 compreendeu que Caligaria não seria controlada, restando-lhe apenas uma chance de fuga. Enquanto seu sistema não tivesse sido recuperado, Caligaria não mostraria o seu real potencial mas, mesmo assim, sua capacidade de ataque era fatal. Mas quando ele pensou em rastejar até a porta do elevador, ela
se abriu: era um dos guardas. Caligaria prontamente apontou suas armas,
fuzilando seu alvo sem a menor piedade. Dr. 59 compreendeu que estava
muito enganado. Aquela arma era incontrolável. Mesmo assim, seu sistema Mesmo lacrada, Caligaria ainda lutava contra a blindagem. Ao atingir o andar térreo, 59 não teve muito tempo para fugir pois Caligaria já vinha voando fosso acima, destruindo o elevador. Em sua força descomunal nem o forte aço não conseguia detê-la e ela continuou subindo, até arrebentar o teto do lab 22. Enfim, os céus de Mechapolis recebiam um novo ser! Centro de Comando -Senhor! Temos um problema próximo ao laboratório 22, informou um dos guardas. Quando o jovem fundador voltou sua atenção ao imenso céu, apenas
conseguiu ver aquela criatura prateada cruzar as nuvens. Em seguida, uma
forte explosão foi ouvida e, ao virar-se, uma visão tenebrosa era o ponto
culminante do combate: D.N.A.S. estava em queda e, com alguns segundos, Maximillian ficou chocado. Caligaria estava ali, planando e até mesmo os War Robots fizeram uma solene pausa em seu ataque. Caligaria mostrava uma certa fadiga mas Caladius não se deteve, mandando todos ao ataque: pobres War Robots! Um a um eram esmigalhados, como papel molhado. Mesmo atirando, o corpo de Caligaria quase não mostrava danos: ela era mesmo uma máquina de combate, desenvolvida para situações críticas. Deixando de prestar atenção nesta guerra particular, o jovem fundador, acompanhado de seus guardas, dirigiu-se aos restos de D.N.A.S. Arman enviava mais tropas e a situação poderia mudar a qualquer momento. Afinal, os War Robots diminuiam rapidamente. Caladius, prevendo o desfecho, sai de cena, deixando suas tropas sem um líder. Em poucos minutos tudo estava terminado. Caligaria, ao eliminar o último War Robot, simplesmente calou-se fornecendo alguns instantes para todos pensarem. Dankhan estava preso dentro de D.N.A.S. Maximillian ajudava seus guardas a abrir uma das portas e outros, de alguma forma, lutavam contra o início de incêndio nos tanques de combustível: eram momentos angustiantes. E, Maximillian usando sua força extrema, abria a carcaça de D.N.A.S. -Não risque a lataria!! Gritou Dankhan. Deixando sua nave para trás, Dankhan era carregado. Maximillian
novamente teria de enfrentar mais um adversário, somente este, era
realmente um inimigo a sua altura: Caligaria espreitava do céu, enquanto
o jovem fundador apenas se posicionava. Mesmo sem sua lança, ele tinha Caligaria percebeu seu novo alvo, mas continuou no alto, tomando assim uma posição de ataque e defesa ao mesmo tempo, ambos mostravam um empate. Caligaria não iria descer, mesmo tendo armas para curtas distâncias, por causa do combate com inúmeros War Robots e estava totalmente sem munição. O jovem fundador, em terra, não tinha capacidade de voar livremente
e, também, faltava sua lança. Era uma situação de empate, que rapidamente se
modificava com o razante feroz dela. Maximillian apenas desviou e conseguiu
agarrar uma de suas asas e, usando a própria força de sua adversária, arrancou
lhe a asa. Ela ainda pairou, mas tombou do outro lado. Então o combate não era Maximillian nunca estimulou longos combates e, assim, começou a gerar seu ataque mais eficaz; porém, antes que o desferisse Caligaria parou. Algo acontecia em sua mente. Ela começou a lutar contra si mesma, debatendo-se e foi assim que desabou por breves momentos, muito esclarecedores ao jovem fundador. Ela não era daquele jeito, algo a tinha deixado assim. Então, mudando seu ataque, decidiu não destruí-la mas, apenas, desativá-la. Caligaria sentiu a energia percorrer seu corpo, em conseqüência do disparo feito por Maximillian. Ela ainda tentou levantar. Embora cambaleante ela estendeu sua mão e ainda teve tempo para dizer poucas palavras: -Por favor! Ajude-me!
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