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Mechapolis
6 de Setembro de 2004
By Lord Eternal

                  Capítulo III : Enfocando o tempo

                  Rapidamente a D.N.A.S. cruza a imensidão do espaço, retornando com uma velocidade única, carregando não só sua tripulação como também uma das maiores descobertas já feitas: enterrado no interior de uma alta montanha, vivendo em um planeta desértico, um ser muito misterioso foi encontrado
lacrado em sua cápsula, sobrevivendo com tão parcos recursos conseguiu resistir ao tempo. Agora, totalmente desativado e em estado de hibernação, o ser é transportado até Mechapolis, talvez seja possível responder a tantas novas perguntas.

                  112 horas após a partida de D.N.A.S.: Centro de Comando

    -Senhor! Já o temos no scanner.
    -Finalmente, eles voltaram!
    -Maximillian?
    -Estamos rumando para o hangar, obrigado Arman.
    -Arman?
    -Sim, Dankhan.
    -Prepare um dos laboratórios, temos um grande presente para Mechapolis, Ed enviará os esquemas dos plugs de energia.
    -O que vocês trouxeram?
    -Será uma surpresa, vejo vocês todos em dez minutos, desligo.
    -Alguma ordem Sr. Arman? Indagava um dos guardas de prontidão.
    -Sinceramente não sei, recebam os esquemas dos plugs, e preparem ao menos isso.

                  E assim a D.N.A.S. adentra a atmosfera de seu planeta. Ed percebeu que Amon respirou mais aliviado, só em ver aquele esplêndido mar novamente. Ao mesmo tempo, Dankhan mantém sua atenção focada na cápsula, enquanto um dos guardas pilota sua nave. Desde o encontro daquele ser, Dankhan mudou drasticamente, parece que, enfim, encontrou algo a ser levado em maxima consideração mas, nem ele mesmo sabe os motivos reais para tanta atenção.

                  Hangar

                  Maximillian e King Merejo, aguardam a chegada de D.N.A.S. Maximillian está muito sereno. Já o monarca prova a todos sua impaciência.

    -Aonde eles estão? Está demorando demais! Estes quinze minutos jamais terminam! Esbravejava Merejo.
    -Depois, eu sou o lider paranóico! Tenha mais calma Merejo, não adianta ficar assim! Maximillian tentava acalmar seu inquieto hóspede.
    -Eles deviam ter se comunicado conosco! Passamos aqui os últimos dias de mãos atadas! Inconcebível! Atitude inapropriada de Amon!
    -Desisto.

                  De repente a atenção foi voltada para o céu. Enfim, D.N.A.S. sendo guiada com perfeição adentrou o seu hangar e lentamente pousou, de forma gentil e delicada. Dankhan não queria, por motivo algum, causar nenhum dano para aquele ser. Ambas as portas se abriram, Amon foi o primeiro a descer seguido dos guardas e a porta de carga também descia: de lá brotava Dankhan.

    -Dankhan! Como está a situação?
    -Até aqui parece estar bem. Viu só? Voltamos!
    -Isso é ótimo.
    -Amon!!! gritou King Merejo, correndo na direção do jovem Amon.
    -Calma King Merejo, estou bem.
    -Ficamos todos tão preocupados, vocês não deram nenhuma notícia!
    -Culpa nossa King Merejo. O sistema de comunicação não estava tão perfeito e, após alguns anos luz, perdemos o contato com vocês, relatava Ed.

                  Rapidamente uma grupo de guardas adentrou o pequeno compartimento de carga, carregando consigo uma bateria para transporte, acoplaram-na à base da cápsula e, assim, começaram a retirada do ítem. Quando o jovem fundador viu o que descia, ficou estarrecido. Ao passarem em sua frente, pediu um momento, abaixou seu imenso corpo, enxugou o vidro e pôde assim ver, pela primeira vez, aquele ser misterioso.

    -Esplêndido! Exatamente como em meus sonhos! Obrigado, Dankhan, por ter ido buscá-la.
    -Ah? Como sabia disso jovem fundador? Questionava King Merejo.
    -Meus sonhos nunca mentiram, por que desta vez eu seria logrado por meus pensamentos? Rápido! Leve-a para o laboratório 16. Arman já os aguarda. Devemos começar a decifrar isso tudo, agora!
    -Colhi vários dados da arquitetura e acredito sejam inscrições também.
    -Maravilhoso Amon! Vá com eles também. Deixe tudo com Arman e, depois, vocês todos devem ir descansar. Doravante tudo somente conosco.

                  Então, a cápsula foi colocada em um dos transportes e o jovem fundador a acompanhou até o laboratório 16, partindo com pressa.

    -Sonhos! Até hoje não entendi o que, exatamente, são. Afirmou Merejo.
    -Espero que todos me desculpem pois vou descansar, disse Ed. Dormir nesta nave não é nada confortável. Minha cabeça continua matando-me. Dankhan, podelevar-me até a minha casinha?
    -Certo, Ed. Com licença, King Merejo.

                  Dankhan pediu licença, entrou em seus aposentos e levou consigo o pequeno Ed: ambos estavam exaustos. Dankhan tentou descansar durante a volta. Porém, jamais conseguiu confiar plenamente que outro mecha pilotasse sua nave e, dessa forma, ele, por várias horas, ou pilotava ou se mantinha atento às leituras da cápsula.Agora em casa, finalmente, poderia descansar de vez.

                  King Merejo, vendo que ficou completamente sozinho, partiu em direção aos seus aposentos; de certa forma, também estava cansado. Nos últimos dias, ele vigiara os céus dia e noite e, algumas vezes, até foi necessário mandar buscar uma grande manta para cobrir o monarca, ele não aceitava dormir em seus aposentos.

                  Laboratório 16

                  Quando Amon chegou com o transporte já era aguardado por Arman com uma equipe de prontidão que olhava a parada total. Amon logo desceu e ajudou a carregar a imensa cápsula para dentro. Arman também ficou espantado quando olhou mas não teve coragem de se aproximar para ver mais de perto, ele apenas deu passagem aos carregadores. Maximillian desceu por último.

    -O que achou de tudo Arman?
    -Não tenho palavras no momento, preciso analisar com calma e tentar fazer uma assimilação de todos os fatos.
    -Então somos dois.
    -Vamos entrar!
    -Sem pressa conselheiro. O tempo está sempre do nosso lado e este enigma, com toda certeza, não será resolvido tão rapidamente.

                  Hangar

    -Ed? Você está mesmo dormindo?
    -Não, mas eu sei fingir com uma perfeição exemplar.
    -Ao menos você consegue manter o seu bom humor.
    -Há horas em que é melhor rir de tudo, zombava Dankhan.
    -Devem estar no laboratório agora.
    -Pelo meu relógio, passou-se quase quatro horas.
    -Quatro horas, para aquilo tudo é um pingo, perdido no horizonte.
    -Sem sombra de dúvida, fiz uma cópia dos dados que Amon coletou no planeta,
estou analisando agora. Ele tem toda razão: são inscrições!
    -Como sempre você é bem desconfiado Ed, depois irei checar, minhas pernas
não me obedecem.
    -Não sofro deste problema.
    -HaHaHaHaHa é óbvio Ed, você não tem pernas.
    -Vamos tentar dormir, eu preciso mesmo dormir, no mínimo dez horas.

                  E, assim, ambos voltam a ficar em silêncio, fingindo estar dormindo mas, na verdade, seus pensamentos continuam martelando sobre o enigmático interior. Nesse instante, ouvem batidas na porta.

    -Pode entrar! Está sempre aberto!
    -Oi, Dankhan! Amon entrou e puxou uma cadeira.
    -Amon, você fugiu do laboratório?
    -HeHeHeHeHe, não foi preciso, Arman me liberou mesmo.
    -Como estão as coisas?
    -Está tudo bem, agora eles estão tentando desvendar o plug. Arman acredita ser a fonte de tudo. Caso consigam, vamos poder olhar a memória daquele mecha.
    -Então é mesmo um de nós?
    -Foi realizada uma pesquisa em seus componentes: é 100% mecânico. Tudo o que temos, aquele ser também tem e algumas coisas extras.
    -Extras? O que por exemplo?
    -Armas, meu amigo! Armas com grande poder de ataque escondidas no interior de seus pequenos braços. Mas a maior surpresa está mesmo em seu tórax.
    -Não precisa nem dizer: explosivos!
    -Como soube? olhou para fora de sua casa o pequeno Ed, assustado.
    -Você está brincando? Dankhan saltou de sua cama.
    -Infelizmente não, realmente tem um explosivo.
    -Por acaso vocês estão querendo dizer que durante este tempo, nós transportamos explosivos? Pasmo, indagava Ed.
    -calma Ed, não vão deixar explodir e outra, o corpo não é tão grande, deve ser um explosivo dos pequenos.
    -Arman calculou a área de explosão, deve chegar perto da praia o diâmetro.
    -Mas ?!?!? Dankhan começou a andar pelo quarto.
    -A prioridade do laboratório 16 e desarmar o explosivo antes de mais nada.
    -Melhor irmos até lá.
    -Poupe os esforços Dankhan, mecha é o que não falta no laboratório 16, ganhamos mais ficando por aqui, caso necessitem, nós seremos chamados.
    -Tem razão, ganho mais dormindo.
    -Agora, vou até meus aposentos, ter uma conversa com King Merejo.
    -Certo, Amon. Obrigado pelas notícias.
    -Até logo, Ed. Assim, ele se levanta e sai, fechando a porta.
    -Até Amon.
    -Ed?
    -Diga.
    -Ensine-me como fingir que está realmente dormindo de forma perfeita, estou precisando aprender com urgência.

                  Duas semanas após a chegada de D.N.A.S.: Laboratório 16

    -Alguma novidade Arman?
    -Nulas, não conseguimos ainda decifrar a programação do plug principal.
    -Então, vocês devem abrir a cápsula.
    -Isso seria arriscado demais, talvez exista um mecanismo de defesa.
    -Eu sei. Previ isso. Os preparativos do lab 22 estão sendo finalizados, toda a equipe deverá ser enviada com a cápsula. O lab 22 tem este nome por causa de seus vinte e dois andares blindados: certamente podem suportar a explosão. Não temos outra escolha. O tempo não ficará do nosso lado de forma eterna. Precisamos de respostas, imediatamente. Até o final deste dia todos devem estar lá em baixo, abrindo a cápsula!
    -Sim, mas, espere Maximillian.
    -É fundamental ter o entendimento completo da situação, Arman; este ser é o unico que poderá nos contar algo. Seja breve, seu tempo está a correr.
    -Muito bem, todos ouviram, vamos começar a mudança do sistema.

                  Hangar.

    -O dia está bem tranqüilo, hoje.
    -Fato, dias assim sempre são calmos, entediantes.
    -Talvez não seja assim desta vez, Dankhan.
    -Maximillian?
    -Arman logo descerá com sua equipe até o lab 22.
    -Então até mesmo a paciência do fundador, tem um fim.
    -Infelizmente sim, faz duas semanas que não tenho paz, aquele ser ali de forma lacrada, sem poder comunicar-se é uma visão pertubadora para mim, temos por dever retirá-lo dali.
    -Você ordenou levarem-no justamente por causa da blindagem, correto?
    -Não tive escolha, não posso correr o risco de destruir toda Mechapolis.
    -Quer alguma ajuda?
    -Por enquanto, não.
    -Veio aqui apenas conversar, então.
    -Às vezes, é preciso. Até mesmo o líder de toda Mechapolis, em algum simples momento, fica incerto sobre qual atitude tomar.
    -Vamos jovem fundador, há quantos séculos você toma conta do lugar? Não vai ser um pequeno explosivo que o fará mudar seus ideais.
    -Obrigado pela conversa, Capitão da Guarda. Preciso ir, agora. Tenho uma papelada para ler, até mais.
-Até mais, Maximillian.

                  Maximillian sai do hangar, deixando Ed perplexo. Ele nunca tinha presenciado uma conversa tão civilizada por nenhuma das partes. Os debates de Dankhan com Maximillian eram, sempre, tão terríveis e comentados por toda a grande Mechapolis mas, desta vez, depois de tantos atritos, tiveram uma conversa sensata. Ed achou melhor não fazer qualquer comentário.

                  Laboratório 22

    -Sistema concluído. Transferência completa. Prontos para retornar ao ponto onde paramos. informou um dos guardas.
    -Certo, vamos finalizar tudo. Por hora preparem as ferramentas. Amanhã daremos início ao micro processo de desmontagem deste explosivo. Após isso, caso alguêm sobreviva, certamente a cápsula será aberta.
    -Sim, senhor!
    -Tenham uma boa noite!

                  Finalmente, Arman sai do laboratório 22. As ruas agora caladas, a madrugada profunda. Andando pelo silêncio e voltando seus pensamentos para os últimos acontecimentos e tentando ao mesmo tempo espairecer, somente lhe resta observar a noite, o céu estrelado, e as imensas luas flutuando entre nuvens. O dia foi terrível e o seguinte já demonstra isso desde cedo, restando ao velho conselheiro retornar a sua moradia humilde e, definitivamente, descansar.

                  Dia seguinte, ruas de Mechapolis

                  Totalmente diversas da noite anterior, agora as ruas estão muito tumultuadas, a aproximação de uma nova frota de War Robots tirou todos, cedo, de suas camas. Arman encontra-se no centro de Comando. Maximillian ficou próximo a um ao portão do leste. Dankhan ainda vinha correndo no final da rua.

    -Maximillian! Ofegante, ele finalmente chega aos portões.
    -Calma, Dankhan! A situação não e tão terrivel, apenas uma pressão vinda de Sync On, nada mais.
    -Vim correndo, porque fui informado de sua última batalha, nas suas condições isso é perigoso, desta vez não precisa ir, eu estou aqui.
    -Não será preciso mesmo, somente os guardas cuidarão de tudo. Caso queira acompanhá-los, fique à vontade.
    -Ultimamente você tem sido mais compreensível, isso é ótimo.
    -A palavra correta é mais 'sereno' jovem Capítão, cuidem de tudo, volto ao lab 22.
    -Certo.

                  Depois de tantos ataques, olhar do alto das muralhas e antever a aproximação do combate, tornou-se algo comum. Maximillian acredita que estas ameaças são apenas para atormentar a todos. Desta vez, a frota de War Robots não tem a metade das unidades do último combate. O embate foi pouco feroz, a jovem Mechapolis perdeu alguns guardas, mas isso não é nada comparado aos antigos combates. Dankhan retornou ao seu hangar.

                  Apos o último combate, Arman retornou ao lab 22, na esperança de de dar início à remoção do explosivo. Longos dias toda Mechapolis aguardou e, com o término de mais uma longa semana, finalmente aconteceu algo diferente...

                  Laboratório 22

    -Menos de trinta segundos para tocar o alvo!
    -Finalmente, a hora está chegando! Preparem-se todos!
    -Calma com esta pinça! Calma!!! Atenção!
    -Alvo atingido!
    -O sistema indica oscilação na área!!
    -Ignorem! Falta muito pouco!
    -Dispositivo à frente, nenhum sinal de risco.
    -Perfeito! agora realmente calma, pincem-no.
    -Pronto! Explosivo pinçado.
    -Agora, retirem-no e levem para muito longe daqui.

                  Enfim, Arman conseguiu desarmar o perigo, sem ter necessidade de romper os lacres da cápsula, utilizando um petaflop de velocidade para calcular toda a seguinte operação, evitando, ao máximo, qualquer dano para aquele ser. Apesar das leituras com oscilação no sistema de hibernação,
nosso misterioso convidado ainda permanece desativado.

    -Maximillian, conseguimos desarmar!
    -Não ouvi explosão alguma. Acreditei realmente terem tido sucesso. Parabéns, Arman! E, agora? Vai terminar a operação explodindo as cargas?
    -Mais tarde, talvez! Agora estamos focando em abrir a cápsula.
    -O serviço jamais termina.

                  As travas não estavam tão endurecidas por causa dos agentes do tempo. Usando uma serra, a equipe de Arman conseguiu, de maneira mais rápida, abrir aquele envoltório de puro aço. Ao término, a grande tampa foi atirada ao chão e todos os presentes olharam, finalmente, o ser por inteiro.

                  Parecia estar repousando. Sua aparência era medonha e, ao mesmo tempo, passava uma grande segurança. Quando ergueram seu corpo, perceberam o real peso: a cápsula era mais leve; e, com muita dificuldade, levaram-no até sua nova morada: um cilindro reforçado, onde foi encaixado em travas
reforçadas.

                  Enquanto eles estudavam como desarmar, também fizeram análises do corpo; esta parte estava bem adiantada, tudo estava preparado. Restava apenas encaixar os plugs em seus devidos lugares...

                  Ao terminar de encaixar os cabos, Dankhan, com Ed e Maximillian, adentra o lab 22: era possível identificar suas reações ao baterem os olhos naquele ser finalmente fora da cápsula. Maximillian não ficou muito impressionado, mas o jovem Capitão da Guarda, realmente mostrava um abalo.

    -Arman?
    -Tudo pronto. Em alguns instantes vamos começar a jornada: dentro de suas memórias.
    -Varredura do sistema: concluída! Travas encontradas!
    -Deixe comigo esta parte, Dankhan respondeu por Arman.

                  Dankhan aproximou-se de um dos sistemas a sua frente e começou a decodificar as portas. Durante seus anos de estudo com D. Gun Smith aprendeu a programar com perfeição e, ao mesmo tempo resolver aquele tipo de problemas. Maximillian e Arman notaram uma dedicação vinda de Dankhan, raramente ele demonstrava suas habilidades...

    -Tenha calma, Dankhan. Você está passando por muitos protocolos!
    -Portas... sempre foram um problema, sempre continuarão a ser um problema
mas, depois de enfrentá-las várias vezes, torna-se um passatempo. Depois de
suas palavras, a tela principal foi ativada.

    -'Voilà'! Com vocês: a memória principal!
    -Hum, os caracteres não são totalmente desconhecidos, por gentileza aonde esta os dados que Amon coletou? Pediu Ed a um guarda a seu lado.
    -O que você acha Ed?
    -Talvez o local, aonde estes mechas estavam, fosse um alojamento para futuro uso. Então, creio que as incrições nas paredes são uma espécie de manual de instruções.
    -Ed! Olhe para a tela secundária!
    -Hum! O que eu pensava! Dankhan, em algum dos seus bolsos está o meu teclado portátil?
    -Deixa eu ver, hum hum, aqui, achei.
    -Poderia plugar?
    -Com toda a certeza.
    -O que pretende fazer Ed?
    -Simples, jovem fundador. Vou analisar rapidamente estes caracteres: se for o caso, a coisa será mais fácil. Arman! É possível carregar um dos seus dicionários mais antigos, para a minha tela?
    -Mande um guarde até minha casa. Lá estão os mais antigos, em livros.
    -Perfeito, enquanto isso continuaremos a análise.
    -Mandando ver hein, Ed?
    -Hehehehe, são poucos os momentos que eu tenho para brilhar, meu caro Dankhan.

                  Em breves minutos, um guarda retornou com um velho e empoeirado livro em mãos.

    -Senhor, é este?
    -Deixe me ver. Hum, exato! Aqui, Ed. Veja.

                  Deixando o livro em pé a frente de seus olhos, Ed pode começar a ler.

    -Exato! Confere! Agora, só precisamos traduzir. Posso continuar?
    -Certamente, Ed. Você está prestando um serviço incrível. Faça as honras.
    -Vou te ajudar Ed. Não estou fazendo nada mesmo. Maximilian encarregava-se de outro sistema.

                  Manhã do dia seguinte, Lab 22.

    -Senhores?
    -Bom dia, Arman.
    -Bom dia, Maximillian. Passaram a noite toda aqui?
    -Sim, nos divertimos muito.
    -Ed e Dankhan estão dormindo?
    -Estão apenas cansados, conseguiram dormir inda há pouco; trabalhamos muito Arman mas conseguimos superar mais este obstáculo. Apresento-lhe o projeto Neo-X: Caligaria.
    -Hum, projeto Neo-X, não conheço nada sobre isso.
    -Mas em breve conheceremos.
    -Uaaaa!! Bom dia, Maximillian. Bom dia, Arman.
    -Bom dia, Ed.
    -Infelizmente dormi, não aguentei mais, não tenho as mesmas capacidades de vocês, meu corpo orgânico é impedimento para muitas coisas.
    -Calma, Ed. Eu terminei de onde Dankhan parou.
    -Vamos ativá-la? Indagava Arman.
    -Sim, Arman. Talvez ainda hoje. Não achamos nada de diferente em suas memórias.
    -Nem mesmo na secundária, Maximillian?
    -Nada. Absolutamente nada. O sistema é normal e semelhante ao nosso.
    -Correto. A equipe não tarda a chegar. Prepararemos tudo.
    -Psiu! Dankhan! acorde! vamos, acorde! Ed tenta despertá-lo.
    -Ainda é muito cedo caramujo, vai dormir...
    -Vamos Dankhan! estamos no lab 22 ainda.
    -É?? Uaaa! Bom dia a todos. Realmente! HeHeHeHeHe! somos dois preguiçosos mesmo. Estou ouvindo um som?
    -Som?!
    -Som de alarme!!

                  Rapidamente Dankhan acionou seu comunicador e falou diretamente com o Centro de Comando. Um ataque de grande proporção aproximava-se de Mechapolis. Maximillian, Arman, Dankhan e Ed partiram do lab 22, deixando sozinha a misteriosa Caligaria.

                  Muralhas

    -Suponho que sejam mais de 2000 unidades de War Robots.
    -Desta vez Sync-on não quer brincar. Preparem-se para o pior!
    -Sim, senhor Maximillian!

                  Brotando tanto dos céus como da terra, eles se aproximavam aos milhares. Desta vez, em uma cor diferente: não mais o neutro bege e, sim, uma cor vinho inquietante sendo vistas pela primeira vez em um ataque. Deixando Arman muito abalado, no centro de Comando.

    -Jamais os vi. Não faço a mínima idéia de como lidar com esta situação.
    -Ora, Arman! Como devem ser tratados!
    -Este ataque é mesmo diferente: novas unidades, devemos ter mais precaução, hoje.

                  Dankhan deixou o Comando e partiu em direção ao campo de batalha, onde um acirrado combate tirava o fôlego de Mechapolis. Usando uma nova estratégia os pequenos War Robots conseguiam deixar os guardas atordoados. Dankhan, temendo o pior, partiu com a D.N.A.S. conseguindo deixar o combate mais equilibrado.

                  Porém, do lado oeste, uma das partes mais afastadas, uma figura consegue quebrar o código de segurança de uma saída de emergência e, assim, adentra a jovem Mechapolis. Esgueirando-se pelas sombras, rapidamente, cruza as mais longas avenidas, agora desertas, seus passos indicam onde ele deseja chegar: o lab 22. Por causa do combate, Mechapolis ficou rendida ao seus sórdidos planos. É, indubitavelmente Dr. 59.

    -Caladius! Vocês devem manter todos ocupados!!
    -HaHaHaHa! São ótimos estes War Robots. Devia ter me contado sobre eles há mais tempo, 59!
    -Certo! Tenho que desligar! Estou quase lá... mais alguns quarteirões...

                  Usando seus métodos perversos, 59 descobriu a existência do misterioso ser e, por este único motivo, decidiu apoderar-se para reprogramá-lo em seu único benefício. Sem obstáculos, ele adentrou o lab 22, usando o elevador desceu até o último subsolo e, lá, ao abrir as portas, deparou com seu objetivo: apressadamente, deu início ao processo de reativação.

    -Vamos! Vamos logo! Acorde!!
    -59? D.N.A.S. entrou em combate!! Não sei por quanto tempo vamos enganá-los!!
    -Use sua nave seu idiota! Em tudo, eu devo pensar!

                  Um som agudo, muito familiar, brotou ao fundo do saguão, e quando Dr. 59 tentou virar-se para olhar, teve de atirar-se ao chao, por causa de uma voraz rajada: Caligaria ainda cambaleante, atirava para todos os lados, arrebentando tudo o que encontrava. Dr. 59 apenas ficou por trás dos
equipamentos.

                  Enquanto sua algoz buscava qualquer sinal de vida também suas conexões para melhorar seu equilíbrio e manter a mira mais estável. Naquele instante tão difícil, Dr. 59 compreendeu que Caligaria não seria controlada, restando-lhe apenas uma chance de fuga.

                  Enquanto seu sistema não tivesse sido recuperado, Caligaria não mostraria o seu real potencial mas, mesmo assim, sua capacidade de ataque era fatal.

                  Mas quando ele pensou em rastejar até a porta do elevador, ela se abriu: era um dos guardas. Caligaria prontamente apontou suas armas, fuzilando seu alvo sem a menor piedade. Dr. 59 compreendeu que estava muito enganado. Aquela arma era incontrolável. Mesmo assim, seu sistema
de mira estava muito desequilibrado e, por esse mesmo motivo, ele escapou das primeiras rajadas. Mas, a cada momento, o sistema mostrava uma enorme recuperação e estava realmente corrigindo sua taxa de acerto. Percebendo a falta de equilíbrio, ele correu para o elevador e, novamente, mais uma rajada foi disparada. Correndo o mais rápido que podia, atira-se para dentro do elevador que finalmente fecha a porta.

                  Mesmo lacrada, Caligaria ainda lutava contra a blindagem. Ao atingir o andar térreo, 59 não teve muito tempo para fugir pois Caligaria já vinha voando fosso acima, destruindo o elevador. Em sua força descomunal nem o forte aço não conseguia detê-la e ela continuou subindo, até arrebentar o teto do lab 22.

                  Enfim, os céus de Mechapolis recebiam um novo ser!

                  Centro de Comando

    -Senhor! Temos um problema próximo ao laboratório 22, informou um dos guardas.
    -Mostre na tela, pedia Arman.
    -Impossível, Arman!! Em nossa frente!
    -Estou vendo, Ed! Mal consigo acreditar!
    -Realmente, ela despertou, mas como???
    -Maximillian!! Ela despertou!!
    -Quem Arman?
    -Caligaria!!

                  Quando o jovem fundador voltou sua atenção ao imenso céu, apenas conseguiu ver aquela criatura prateada cruzar as nuvens. Em seguida, uma forte explosão foi ouvida e, ao virar-se, uma visão tenebrosa era o ponto culminante do combate: D.N.A.S. estava em queda e, com alguns segundos,
atingia o solo, explodindo de vez.

                  Maximillian ficou chocado. Caligaria estava ali, planando e até mesmo os War Robots fizeram uma solene pausa em seu ataque. Caligaria mostrava uma certa fadiga mas Caladius não se deteve, mandando todos ao ataque: pobres War Robots! Um a um eram esmigalhados, como papel molhado.

                  Mesmo atirando, o corpo de Caligaria quase não mostrava danos: ela era mesmo uma máquina de combate, desenvolvida para situações críticas.

                  Deixando de prestar atenção nesta guerra particular, o jovem fundador, acompanhado de seus guardas, dirigiu-se aos restos de D.N.A.S.

                  Arman enviava mais tropas e a situação poderia mudar a qualquer momento. Afinal, os War Robots diminuiam rapidamente. Caladius, prevendo o desfecho, sai de cena, deixando suas tropas sem um líder. Em poucos minutos tudo estava terminado.

                  Caligaria, ao eliminar o último War Robot, simplesmente calou-se fornecendo alguns instantes para todos pensarem.

                  Dankhan estava preso dentro de D.N.A.S. Maximillian ajudava seus guardas a abrir uma das portas e outros, de alguma forma, lutavam contra o início de incêndio nos tanques de combustível: eram momentos angustiantes. E, Maximillian usando sua força extrema, abria a carcaça de D.N.A.S.

    -Não risque a lataria!! Gritou Dankhan.
    -Venha! Vamos sair logo daqui!!
    -Cara, o que foi tudo isso? Anotaram a placa?
    -A placa chama-se Caligaria.

                  Deixando sua nave para trás, Dankhan era carregado. Maximillian novamente teria de enfrentar mais um adversário, somente este, era realmente um inimigo a sua altura: Caligaria espreitava do céu, enquanto o jovem fundador apenas se posicionava. Mesmo sem sua lança, ele tinha
outros recursos.

                  Caligaria percebeu seu novo alvo, mas continuou no alto, tomando assim uma posição de ataque e defesa ao mesmo tempo, ambos mostravam um empate. Caligaria não iria descer, mesmo tendo armas para curtas distâncias, por causa do combate com inúmeros War Robots e estava totalmente sem munição.

                  O jovem fundador, em terra, não tinha capacidade de voar livremente e, também, faltava sua lança. Era uma situação de empate, que rapidamente se modificava com o razante feroz dela. Maximillian apenas desviou e conseguiu agarrar uma de suas asas e, usando a própria força de sua adversária, arrancou lhe a asa. Ela ainda pairou, mas tombou do outro lado. Então o combate não era
mais de igual para igual: portando um grande corpo, ele tinha a vantagem do tamanho, contudo ela, ainda extremamente ágil, não cometeria o mesmo erro. Ambos se encararam. a pressão exercida por ambas as partes era estarrecedora.

                  Maximillian nunca estimulou longos combates e, assim, começou a gerar seu ataque mais eficaz; porém, antes que o desferisse Caligaria parou. Algo acontecia em sua mente. Ela começou a lutar contra si mesma, debatendo-se e foi assim que desabou por breves momentos, muito esclarecedores ao jovem fundador.

                  Ela não era daquele jeito, algo a tinha deixado assim. Então, mudando seu ataque, decidiu não destruí-la mas, apenas, desativá-la. Caligaria sentiu a energia percorrer seu corpo, em conseqüência do disparo feito por Maximillian. Ela ainda tentou levantar. Embora cambaleante ela estendeu sua mão e ainda teve tempo para dizer poucas palavras:

    -Por favor! Ajude-me!