Mechapolis by Lord Eternal Prólogo : Memórias de Mechapolis - Agosto, 17/2004 Parte 1 : O Encontro Com o passar do insólito tempo, vivíamos sempre ali, à sombra de uma espera sem fim, sem saber exatamente a origem, o porquê de tanta convicção... mas sempre estávamos a esperar, vivendo apenas e unicamente com o que tinha sido deixado, existíamos quase por uma teimosia do próprio tempo, sem jamais poder questionar o passado, somente aceitando e continuando a nascer e morrer todos os dias, numa eterna espera, ininterrupta... Porém, jamais concordaria com o fato de sermos exilados, de estarmos enterrados vivos... desde quando fui ativado, eu sempre me indaguei a respeito do exato porquê de vivermos lá em baixo num ambiente tão inóspito, jamais compreendi o exato motivo de não irmos até o mundo exterior, alguns poucos sabem da existência de tal verdade, mas a massa que compõe o meu povo jamais soube... Sempre busquei por uma verdade que brotava em meus sonhos, algo que jamais compreendi totalmente, tanto o meu pai, nosso último líder, jamais concordou em conversar comigo sobre o mundo que eu tinha descoberto, era totalmente diferente da realidade que nos cercava, porque ali não havia muito mais, nada além que conseguíssemos enxergar no breu, mas eu descobri como sair para encontrar o mundo que esperava tanto por mim quanto pelo meu povo... Então chegou o dia, finalmente cansei de esperar por algo que se mostrava claramente inalcançável e resolvi, por vontade própria, sair para buscar respostas. Talvez jamais conseguisse achar alguma, mas ao menos uma vez eu tentaria levar o meu povo para fora daquele antro no qual éramos obrigados a viver sem outras escolhas, havia a possibilidade de conseguir achar algo ou nem retornasse, porém algo sempre me conduzia a ir ver mais uma vez o céu azul, as nuvens brancas, pisar na grama verde, e sentir o sol aquecer o meu simples sistema... Praticamente o meu povo inteiro não sabia o que era aquilo, apenas eu e alguns amigos que teimavam em me seguir conheciam tais fatos, meu fiel conselheiro Arman e o Mechalion Orm, muitos que me ouviram não acreditavam e sim achavam que eu estava louco, mas eu nunca desisti de tentar... Cavalgando da entrada do meu mundo, eu parti pelos mais extensos vales lotados de vida, caminhei às margens dos mais profundos rios clareados pelos feixes de sol, me perdi num deserto de areias escaldantes durante longos dias e noites de ar gelado como a solidão que sentia de meus semelhantes. Mas mesmo com todas as adversidades eu ainda caminhava a fim de achar uma resposta que os tirasse daquele breu; durante os dias mais cruciais que se seguiram, eu pensei em tantas coisas vendo tudo aquilo que ainda não tinha encontrado, pensei em todos os motivos de nossa existência... Durante as noites, eu tentava sobreviver aos meus pensamentos, tendo comigo apenas a pura solidão que invadia impiedosamente o meu sistema, ceifando minhas esperanças de ao menos voltar a rever todos que havia deixado para trás... era torturante vagar por terras tão extensas e não encontrar algo que me respondesse: senti-me solitário e frustrado... Depois de um tempo com inúmeras noites e incontáveis dias, cavalgando por terras tão infinitas, eu avistava um azul diferente , um azul que se movia, estava ali vivo diante de meus olhos,corri perante aquilo e ao me proximar mais este azul desbotou em verde, e em outras cores que ainda não tinha percebido o quanto eram belas, finalmente compreendi, aquilo não era um rio era o mar, um vestígio de memória foi acionado e então recordei de ter lido em algum livro de Arman sobre tal fenômeno, era algo tão impressionante que jamais irei conseguir esquecer como fiquei abismado, era surpreendente o que eu tinha encontrado, por ali fiquei mais alguns dias, refleti bastante sobre os últimos inquietantes acontecimentos e no fim descobri que eu também esperava por algo, só não sabia o que era exatamente... Depois de uma semana criei coragem e finalmente parti, indo ao norte agora, cavalgando pelas horas, as areias começaram a mostrar uma vegetação diferente, era uma espécie de grama verde bem clara... e foi escurecendo mais ainda... até que me encontro perante uma incrível planície verde e ensolarada, era gigantesco, e não era tão longe do mar... fiquei sem palavras, era tão perfeito, até pensei que estivesse completamente louco, mas não estava... Eu enfim tinha encontrado o que eu tanto buscava... um local calmo e seguro, milhares de idéias brotaram em minha mente, mas em seguida veio o terror da dúvida, que iria me acompanhar até o meu mundo, esperava sinceramente viver até terminar o retorno e conversar com Arman e Orm, as minhas idéias poderiam até ser nobres, mas não sei como o meu povo iria reagir a tais fatos, então adicionei aquele local ao mapa que eu desenhava por todos aqueles dias, tentei voltar pelo mesmo caminho, mas não tinha como, era longe demais, iria demorar mais ainda, mesmo assim não desisti, e a cada passo que eu executava uma nova idéia brotava , finalmente achei não uma resposta, e sim algo bem maior... tinha bastante tempo para refletir o que exatamente era aquilo que eu pensava tão exaustivamente... Parte 2 : A marcha Retornando à entrada que ironicamente fez a divisa entre o início e o
fim da minha jornada, um ser me esperava pacientemente, era o MechaLion Orm.
Quando me despedi daquele lugar ele ainda não estava lá, pelo contrário ficou
enfurecido ao saber que eu partiria sem ele. E ele jamais compreendeu que eu
parti sem alertá-lo , porque confiava nele para cuidar de meu povo e do futuro Mas agora ele me recebia muito feliz, afinal perante os tempos mais difíceis estivemos juntos, superando cada degrau de evolução que era mostrado a nós, desde que fui ativado até aquele momento ele sempre esteve ao meu lado, e eu sabia poder contar com seu apoio, não importando os fatos... Olhando para ele sentado naquela areia tão escaldante e de costas para aquela caverna tão escura, percebia mais ainda que ali realmente não era o nosso lugar, depois de ter visitado tantos lugares, caminhado pelas pradarias verdes e avistado a imensidão do mar com sua beleza ímpar, de qual modo eu ainda aceitaria viver ali, e o pior deixar o meu povo vivendo ali sem jamais ter a chance de escolher o que seria realmente bom, para todos, e isso me fazia indagar mais ainda ,como vivemos ali por tanto tempo, enterrados... Partí daquele local com algumas perguntas, e então retornava com as mesmas perguntas e novas outras sem respostas. Não tinha a menor idéia de como iria contar o que eu vira, e também não tinha nenhuma certeza de que teria seguidores... apenas quis que todos compreendessem que ali não era o lugar certo para vivermos... Antes de começar a minha descida vi uma figura aproximando-se de mim, aos poucos conseguia compreender seus traços, era o meu conselheiro Arman... Orm com toda certeza já tinha percebido a minha presença vindo pelo deserto e o chamou para me aguardar também ,na hora me assustei, mas depois entendi que ele me esperou aquele tempo todo pois tinha esperanças de que eu voltasse... Na ocasião, o meu povo ficou feliz em saber que eu voltara bem... naquela noite não falei com eles sobre o que eu pensava, apenas fiquei feliz em estar com todos novamente... com o passar dos dias, aqueles que me ficavam mais próximos, compreendiam que eu tinha algo a revelar, no fundo eu estava temeroso de que o meu povo não concordasse em sair dali... e claramente eu entendia que caso isso fosse concretizado, por amor a todos, eu permaneceria ali... Contava mais de 2 meses já... nada tinha dito... porém após um forte abalo o magma começou a brotar da terra... era extremamente quente... podia derreter até mesmo o metal mais forte... quanto mais nossas defesas a base de energia... mas ele estancou rapidamente... Comecei a temer pela segurança de todos: não custou dois dias e durante uma tarde calma,sentimos um verdadeiro tremor, e então o inevitável surgiu diante de meus olhos, o magma enfim brotava da terra com uma voracidade ímpar e destruição acurada, ele vinha com mais intensidade... e não demorava para atingir a primeira linha de defesa. E eu aguardava o pior... Então realmente compreendi que alguma coisa ou alguma força enfim me
movia a contar o que eu tinha achado, e mesmo contendo o meu medo, reuni os
sábios, os mais velhos, e os líderes mais jovens... e expliquei que ali não
poderíamos mais permanecer, então mostrei os mapas que tinha rabiscado durante
a minha jornada... muitos se recusaram a ir, outros me apoiaram... mas ainda não O mar de magma gerou enormes ondas escaldantes e cobriu rapidamente a primeira linha de defesa e as devastou em alguns instantes era uma simples questão de horas para chegar até a segunda linha, era óbvio que nada deteria aquelas ondas... muito menos a segunda linha de defesa... A crise era iminente; o tempo estava contra nós, contra a nossa
existência, então a multidão invadiu o centro da cidade e gritava que não queria
morrer ali. Naquele exato momento tomei a única decisão possível; caminhei até
a presença de todos, e expliquei com palavras simples, aonde e o que iríamos
fazer, e todos concordaram, todos buscaram o que conseguissem carregar e o que
achavam que seria útil em algum momento daquela árdua jornada, após algumas
horas, finalmente as ondas atingiam a segunda linha de energia, e novamente
contemplávamos o poder escaldante do magma corrompendo eu minutos o que nós
acreditávamos que nos defenderia sempre, agora sim, decretadas nossas últimas Então ao sair o último mecha de nossa antiga morada, me virei para olhar
o que conseguia avistar buscando algum último mecha perdido, era tão escuro,
tão deprimente, tão solitário, então me lembrei da figura de meu pai, que jamais
viveu para ver aquele glorioso dia que o nosso povo iria finalmente viver sob
a luz , ele que foi tão contrário àquela saída... agora era chegada a hora de Ao sair da caverna, finalmente, avistei uma enorme fila de mechas que
marchava diante de um destino tão obscuro quanto àquele lugar em que vivera
por tantos séculos, eles andavam com ímpeto até a saída do nosso mundo...
assim que nos afastamos ouvimos uma imensa explosão e ao olhar para trás,
a fumaça saía de onde era a caverna que dava acesso ao nosso velho mundo
então percebemos que para lá não poderíamos retornar. A sorte estava
lançada : não somente a todos, e, sim, a mim também, que agora era mais do
que responsável por todos, afinal todos confiavam em mim... a cada mecha que A caminhada custou muitos e muitos dias, cada mecha andava em um ritmo,
os mais jovens eram rápidos, os mais velhos eram bem mais lentos, e havia
aqueles que não andavam mais, então apenas se arrastavam sendo ajudados pelos
outros tentado seguir a idéia simples de viver em paz, a claridade era
desconfortável para seus olhos acostumados à escuridão, o calor também era uma Contei 15 dias tortuosos, da saída do nosso mundo até a planície que eu
havia descoberto, um destino tão distante, enfrentamos as areias traiçoeiras do
deserto, do céu veio a chuva que castigava, das florestas o eterno medo de ser
atacado por algo desconhecido mas a marcha prosseguiu, fiquei impressionado em
vários momentos por não desistirem e também não reclamarem de seu destino tão finalmente meu povo tinha encontrado o seu lugar naquela vasta e imensa terra verde, finalmente eles olharam o céu azul, e enfim eu os tinha libertado daquele vácuo obscurecido e esquecido pelo próprio tempo... caminhei até o centro, o centro que um dia iria marcar não apenas o centro de todas aquelas vidas, e sim iria marcar também o centro de toda uma raça, o centro de futuras vidas, o lugar no qual eu iria reger não apenas um simples povoado, e sim uma imensa e eterna cidade... que nos meus sonhos mais esquecidos agora começava a tornar-se realidade... Meus amigos Orm e Arman, aproximaram-se de mim felizes por estarem ali, e ambos sofriam ainda com o calor e a claridade, mas notei que eles estavam em paz, não apenas eles mas e também aquelas centenas de mechas que nos rodeavam e, naquele momento, falei o que um dia a estória iria escrever como marco da nova vida... "Aqui viveremos e construiremos o nosso lugar ao sol, finalmente não ficaremos mais em um breu ou à mercê da escuridão, viveremos aqui para todo o sempre, aqui,em Mechapolis... " |
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