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Mechapolis
8 de Outubro de 2005
By Lord Eternal

                  Chronicle I : Nanomachines.

                  Mechapolis, uma grande cidade, localizada numa das mais pacíficas planícies deste belo planeta, encontra-se obrigada a lutar por seus habitantes. Temíveis War Robots voltaram a assolar suas muralhas, sendo comandados por seu maléfico criador, Dr. 59.

                  Do alto das montanhas de Sync-On, o mais perverso de todos os mechas já conhecido, continua enviando suas hordas de terror sobre intransponíveis e fortemente armadas muralhas de Mechapolis. Do alto, um bravo mecha continua combatendo, usando suas armas: duas pistolas.

                  D. Gun Smith, um dos mais valorosos soldados, defendia a entrada dos portões oeste, auxiliado pela guarda. Nenhum War Robot conseguia chegar mais do que a alguns metros, o combate continuava emparelhado.

                  Então, os portões foram abertos e dois grandes seres saíram de Mechapolis, preparados para morrer por seus ideais. Galopando pelas ruas e saindo para o campo, o jovem fundador inicia seu combate contra as levas de War Robots. Bravamente, luta: defendendo seu maior sonho, usando suas
próprias forças.

                  Mas os War Robots continuam o ataque com maior intensidade, obrigando os mechapolitanos a recuar. Nesse instante, entra em cena um dos mechas mais poderosos:

    -Saiam da frente!! Gritava o mechalion.

                  O impetuoso mecha prepara seu sistema e, prontamente, executa com perfeição um de seus letais ataques que varreu a maioria dos War Robots, ensejando a deixa perfeita para terminar aquele combate.

    -Parabéns, Orm!
    -Desta vez, estou cansado, Arman!

                  Do alto, D. observa o mechalion à frente dos portões.

    -Muito bem! Vamos limpar a bagunça! Falava D.

                  Guardando sua pistola, o capitão da guarda, D. Gun Smith, organiza o fim daquele árduo combate. Ao longe, o jovem fundador vem caminhando mais sereno.

    -Mesmo não apreciando uma guerra, sou obrigado a defender os meus ideais.

                  Logo, ele vê seu amigo Orm sentado no chão, olhando para o céu.

    -Cansado, Orm?
    -Um pouco... e você?
    -Exausto. Desta vez durou mais do que o previsto.

                  Saltando de cima das muralhas e caindo ao lado do mechalion, D. aguarda a chegada de seu líder.

    -Muito bem! Não tivemos muitas baixas!
    -Perfeito!, D.! Acha que eles ainda voltam hoje?
    -Difícil prever, Orm. Mas, caso tenham tal atrevimento, estaremos aqui para defender a nossa Mechapolis.

                  Maximillian chega aos portões e guarda sua lança.

    -Talvez, um dia, tenhamos de ir a Sync-On para lutar, de igual para igual, contra 59.
    -Concordo D., afirmava Orm.
    -Por hora, vamos nos contentar em vencer novamente. Arman?
    -Estes foram os últimos, Maximillian.
    -Perfeito, junte os guardas para contar as baixas.

                  Andando calmamente, Orm emparelha com o fundador.

    -Mais um dia, comum para Mechapolis, disse Orm.
    -Com certeza! Dias assim são divertidos! HeHeHeHe! E para onde vamos, agora?
    -Hum, " Paradise Night Club? " D.?
    -Falou tudo, mechalion!
    -HaHaHaHa! Podem ir!
    -Não vem conosco, Maximillian?
    -Hoje não, D. Meus deveres de líder jamais tem fim. Mas joguem algo por mim.
    -Certo, cuide-se! Qualquer coisa pode chamar!
    -Vão logo!

                  Vendo seus amigos correndo pelas calmas ruas, Maximilian ouvia os portões sendo fechados e lacrados. Olhando todos aqueles mechas, apressados, correndo em todas as direções, sobreviventes de mais um combate, o jovem líder refletia sobre outras questões.

    -Mais um dia continuamos a viver. A noite logo chegará e eu preciso pensar em como será o amanhã.

                  Quem chega a seu lado é o velho e solidário Arman.

    -Que tal pensar num dia de cada vez?
    -Eu tento Arman. Mas é sempre um problema.
    -Terminei os relatórios.
    -Hum, por hora deixe-os em meu escritório, vou descansar.
    -Precisa de manutenção em seu sistema?
    -Não é isso. Hoje é aquele dia... esqueceu?

                  Arman baixa a cabeça e recorda-se de um tempo há tanto esquecido.

    -Se houvesse uma forma de esquecer que dia é hoje, com certeza seria o primeiro a querer...
    -O dia em que meu pai foi destruído. O dia em que me tornei, definitivamente, o líder destes mechas e assumi a posição de fundador de um novo tempo. Hoje, mereci lutar por todos de Mechapolis. Só assim teria valor permanecer funcionando.
    -Vá descansar, jovem fundador. Continuarei até que tudo esteja em ordem.
    -Obrigado, Arman.

                  Deixando Arman, ali, resolvendo tudo, Maximillian caminhou pelas ruas, olhando cada construção, cada mecha e se recordando dum tempo mais antigo, nunca esquecido.

                  Paradise Night Club

                  Aqui mora a alegria e a descontração para todos os mechas. Não há espaço para a tristeza. Os mechas se reúnem para conversar, contar grandes piadas. Enfim, é um local onde muitos terminam o dia, computando ganhos ou perdas. Assistindo um dos shows do local, D. e Orm conversam.

    -Está tudo bem com o jovem fundador?
    -Creio que sim, D. Por que a pergunta?
    -Notei-o um tanto abatido, hoje.
    -Hum, talvez o combate...
    -Bem antes de lutar, estava com aquele aspecto triste.
    -Agora lembrei! Hoje é aquele dia!
    -A destruição de Ormacimus!!

                  D. bate o copo sobre a mesa e levanta-se.

    -Esquecemos completamente!! E ainda o convidamos para vir até este lugar! Que mancada.
    -Mas que droga, D.! Arman também ficou sem falar algo a respeito. E, em meio a todos os problemas, acabei esquecendo esse terrível fato.
    -Vamos procurá-lo?
    -Já deve estar recolhido. Amanhã falaremos com ele.

                  D. senta-se novamente.

    -Também esqueci. Maldita memória! Às vezes esqueço coisas muito importantes.
    -É mesmo? Disse Orm.
    -Sim... hoje é o aniversário de Julie...

                  Cof...! Orm cospe longe o que bebia.

    -Não compramos nada para Julie!!

                  Cof...! Prontamente D. cospe longe também.

    -Hoje o dia está bravo!

                  Abrindo seu bolso e jogando alguns créditos sobre a mesa, D. e Orm saem do clube e recebem uma chuva torrencial.

    -Não existe coisa mais triste do que um mechalion ensopado!
    -Precisamos providenciar algo! Julie ficará desapontada se não levarmos nada!
    -Eu sei D.!

                  Logo os dois correm sob a forte chuva. Procurando chegar ao shopping, em meio a trovões, eles param diante de uma pequena loja. Orm avistou algo.

    -Veja, D.
    -Perfeito, mechalion, ela vai adorar!

                  Abriram a porta e entraram.

    -Boa noite, senhora! Poderia nos vender aquela boneca de pano da vitrine?
    -Sim, gentil senhor! Antes, pode pedir a seu amigo para retirar-se? O dono não gosta destas "coisas" dentro da loja.

                  Orm ficou olhando para aquela mecha.

    -Senhora, tem idéia de quem é este mecha?
    -Deixe isso de lado D.! Compre o presente para Julie, aguardo lá fora.

                  Orm aceitou aquilo por amor a pequena Julie. Saiu da loja, aguardando lá fora, na chuva. A vendedora prontamente terminava de embalar a pequena boneca para entregar nas mãos de D.

    -São 100 créditos, senhor.
    -Aqui, senhora.

                  Ao pegar a caixa, olhando para fora, voltou sua atenção para a vendedora:

    -Aquele mecha, senhora, ajudou a salvar todo o nosso povo! Você é um dos mechas criados nesta cidade, deveria ter um mínimo de respeito. É o Mechalion!
    -O senhor deseja mais algo?
    -Quando a ferrugem bater e algum vírus corromper o seu sistema, não clame por socorro! Se conseguir, tenha uma boa noite!

                  D. sai da loja batendo a porta.

    -Aconteceu algo, D.?
    -Claro que aconteceu! Vamos! Quero chegar logo!

                  Seguiram correndo pelas ruas desertas e conversavam.

    -Esqueça isso D., nem todos os mechas sabem ser agradecidos.
    -Isso sempre me enervou Orm. Deveriam ter respeito por você. Não me refiro ao fato de ser o último de sua raça mas, também, de ser quem é.
    -HaHaHaHa! Fico feliz com suas palavras, velho amigo! A propósito, sua casa está na próxima quadra.

                  Ao chegar, ambos estão totalmente encharcados. D. olha pela janela e avista Julie.

    -Está acordada, Orm!
    -Ótimo! Vamos fazer aquela surpresa!

                  Eles rodearam a casa e abriram a porta do fundo, entrando de mansinho. D. procura não fazer barulho. Orm tenta ser o mais silencioso possível.

    -Parabéns!!!! Julie!!

                  A jovem mecha assusta-se e salta para abraçar D.

    -Vocês lembraram!!! Viva!!
    -Este é um presente meu e do Orm, escolhemos juntos!

                  A pequena Julie desce dos braços de D. e abraça o mechalion.

    -Orm, você é muito legal!
    -E você, minha pequena Julie, é muito doce!

                  D. olha para os lados e não a encontra.

    -Onde esta Thérèse?

                  Julie olha para o quarto de Thérèse.

    -Depois que vocês saíram, ela foi se deitar.

                  D. e Orm correm para o quarto de Thérèse e a encontram ainda deitada.

    -Thérèse??!?! Fale algo, Thérèse!
    -D... voltou cedo para casa...
    -O que aconteceu??
    -Estou um pouco cansada hoje.

                  Ele a pega em seus braços e a segura para não cair.

    -Ontem, estava bem...
    -Aconteceu de repente. Meu sistema identificou uma grande falha...
    -E agora?
    -Continua se espalhando por minha estrutura.
    -Amanhã, leva-la-ei para o laboratório 22. Arman poderá nos ajudar.
    -Obrigada, mas por hora preciso descansar.

                  Com todo o cuidado, D. coloca-a novamente na cama.

    -Durma bem, minha doce Thérèse...

                  D. saiu do quarto e fechou a porta.

    -Como ela está, D.?
    -Fraca, cansada, muito fragilizada. Algo esta corrompendo seu sistema.
    -Hum, vou buscar Arman.
    -Já é tarde, ela quer descansar. Vamos preocupar o conselheiro.
    -Hum... Julie está dormindo, deixei-a em seu quarto.
    -Certo...

                  D. vai para a varanda, abre a porta e puxa uma cadeira. Orm o acompanha.

    -Estou preocupado, D.!
    -Também estou, Orm!

                  D. tira do bolso uma caixinha com um baralho.

    -Quer jogar?
    -Aceito! Duvido que consiga dormir.

                  Tensos, os amigos começam a jogar, ponderando sobre suas vidas e de toda Mechapolis. Mal sabiam o que os aguardava, no dia seguinte...

                  Amanhecer, Casa de D.

                  Dormindo na varanda, Orm e D. são acordados por barulhos estranhos. D. levanta-se primeiro e vê um mundo caótico: centenas de mechas rastejando diante dele. Todos sofriam e ele ficou chocado.

    -Orm!!! Acorde!!! Vamos!!!! Acorde!!!!

                  O mechalion levantava-se, sem entender a gritaria do seu amigo.

    -Que horas são, D.? É muito cedo... algum ataque???
    -Pior!!! Todos os mechas estão sofrendo!!!

                  Lembra-se de Thérèse e adentra sua casa, encontrando-a caída no corredor.

    -Thérèse!!! Thérèse!! Fale comigo!!

                  Orm fica sem entender o que ocorria lá fora. Corre para o quarto de Julie, abre a porta e aproxima-se da cama da jovem mecha.

    -Julie... Julie...
    -Hum??? Orm...
    -Tudo bem com você?
    -Acho que sim... aconteceu algo?
    -Melhor vir comigo.

                  A pequena Julie sobe nas costas de Orm e ambos saem da casa. Lá fora, encontram D., com Thérèse em seus braços.

    -Venha! Vamos para o centro de comando! Arman deve estar lá!!

                  D. carregava Thérèse em seus braços e Orm levava Julie. Ambos deviam atravessar as ruas lotadas por mechas: todos agonizando e clamando por ajuda.

    -Toda a Mechapolis padece! Disse Julie.
    -O centro está sem resposta. Orm, vá! Busque Maximillian! Vou à casa de Arman!
    -Certo! Manterei os canais abertos!
    -Muito bem!

                  Chegando à praça, os amigos separaram-se para continuar buscando pelas mesmas respostas. Mas toda Mechapolis padecia daquele terrível mal, que assolava, imparcialmente, todos os mechas. D. corria com seu verdadeiro amor nos braços, observando-a piorar a cada passo.

    -Resista, Thérèse...
    -D... deixe-me aqui mesmo.... Mechapolis precisa de você...

                  D. prontamente pára de correr e, diante de uma grande árvore, senta-se no chão com Thérèse.

    -D... precisa salvá-los...
    -Mas do que adiantam meus conhecimentos, se não sou capaz de salvar você, Thérèse...

                  Ela estende sua mão para tocar a face do seu amado.

    -Estarei aguardando o seu retorno, aqui mesmo...

                  Thérèse desfalecia, deixando sua mão cair, D. segurou-a, firme.

    -Espere-me, meu amor...

                  Imediatamente, o Capitão da Guarda levantou-se e olhou tudo com atenção.

    -Até mesmo os guardas sofrem. Em menos de um dia, Mechapolis inteira está morrendo.

                  Ele aciona o seu comunicador e busca por algum sinal.

    -D.!!!!
    -Não grite! Estou ouvindo, Orm!
    -Estou na casa de Arman que esta caído, aqui. Encontrei registros sobre o que está acontecendo em Mechapolis.
    -Mandei procurar o fundador!
    -Ele está, agora, nos portões do norte. Temos uma nuvem de War Robots aproximando-se do perímetro!
    -Ainda tem isso?
    -Arman está voltando a si. Siga para os portões do norte! Ajude o jovem fundador!
    -Desligo!

                  D. começou a correr mas parou subitamente, voltando seu olhar para ela que estava encostada naquela árvore.

    -Thérèse...

                  Deixando para trás aqueles pensamentos, ele parte sem olhar para trás, buscando chegar o quanto antes aos portões.

                  Casa de Arman

    -Orm...
    -Vamos conselheiro, levante-se...

                  Ajudando Arman, o mechalion coloca-o em uma cadeira, perto da mesa onde há vários papéis espalhados.

    -Orm! Mechapolis pode ser destruída!!!!
    -Isso, eu já sei! Desejo saber como posso evitar??
    -Não tenho tal resposta. Vou para o lab 22 onde poderei pesquisar o que está havendo com a população, usando melhores recursos.
    -Muito bem. Confio em você. Lá fora há um transporte: use-o! Ganhará tempo! Devo ajudar na defesa de Mechapolis!

                  Com muita dificuldade o conselheiro consegue ficar em pé.

    -Quero ajudar também, Orm.
    -Julie?
    -Me deixe no centro de comando, Orm. Vou ajudar as tropas que estão no combate.

                  Orm enxerga na pequena Julie uma seriedade incrível, diante de um fato aterrorizante chamado guerra.

    -Certo! Vamos para o centro! Arman tente chegar ao lab 22!
    -Temos uma Mechapolis para salvar! Falava Julie.

                  Assim, o grande mechalion deixa a rústica morada, levando nas costas a pequena julie. E a cena se repete: quarteirões inteiros lotados de mechas, sofrendo.

    -Já ouço as primeiras explosões...
    -Dá para sentir o combate daqui. Ficará bem, no centro, Julie?

                  Julie permaneceu atenta durante o caminho.

                  Centro de Comando

                  Adentrando o lugar, o centro estava silenciado. Todos os mechas já estavam desativados. Orm aproximou-se de um deles e, com a pata, moveu-o.

    -Deixe-o, Orm! Devemos chegar a sala de comando!
    -A energia começa a falhar! Vamos pelas escadas.

                  Usando sua força, o mechalion subiu, corajosamente, todos aqueles andares, desviando de tantos mechas já caídos, testando seus sentimentos ao avistá-los aniquilados, sem explicação.

                  Escadarias sufocantes para Orm até atingir o último andar. Lá, quebrou a porta com suas garras, encontrando o centro de comando deserto. Julie pulou das costas do mechalion e, prontamente, assumiu o comando, acionando os sistemas.

    -Atenção sistema! Inicie a varredura do campo. Contagem de inimigos.

                  Prontamente o sistema respondia e iniciava a paginação dos dados.

    -Conhece este sistema, Julie?
    -D. me ensinou. Muito bem, passe a energia dos campos mais isolados, desligue toda a ala sul, vamos passá-la para as barreiras do norte, precisamos ganhar tempo.
    -Sim senhora, Julie!
    -Orm, o jovem fundador e D. neste momento lutam sozinhos, Arman chegará ao lab 22 em alguns minutos. Por hora, a situação está sob controle mas precisamos descobrir a causa da falência dos sistemas, nesta velocidade.
    -Sync-on... respondia Orm.
    -Exato. Parta para Sync-on, imediatamente! Saia pelo leste. A volta será um pouco maior mas usando sua velocidade, estará nas montanhas em menos de uma hora.

                  Julie mudava sua posição no centro, integrando-se ao sistema central.

    -Vá, Orm!

                  Saltando por uma das janelas, o mechalion caiu ns cobertura do prédio vizinho. De telhado em telhado, corria rumo ao leste de Mechapolis.

                  Portões do norte

                  Continuando o combate, D. e Maximillian começam a sentir um certo enfraquecimento em seus sistemas.

    -Vamos perder, jovem fundador?
    -Enquanto eu estiver aqui, de pé, jamais aceitarei a derrota, D.!

                  Nesse momento, as barreiras de energia cobrem todo o norte de Mechapolis.

    -Alguém está no centro de comando? Indagou Maximillian.
    -Centro de comando. Alguém me escuta?
    -D...
    -Julie??
    -Liguei-me a este sistema, estou orientando a energia para outros pontos da cidade, mas o tempo é curto.
    -Onde esta Arman?? Orm???
    -Neste momento, Arman está no lab 22, iniciando uma análise dos sistemas. O mechalion corre para as montanhas de Sync-on. Eu o enviei.

                  Quando as barreiras de energia tocam o solo, os portões do norte ficam protegidos dos ataques de War Robots.

    -Eles podem dar a volta, D.
    -Veja Maximillian, toda Mechapolis está sendo protegida e estamos ganhando algum tempo.
    -Hum... Julie é muito esperta! Está passando a energia dos subníveis vazios para os principais reatores de defesa.

                  D. guarda sua arma.

    -Vou para o lab 22. Arman deve estar precisando de ajuda. Vem também D.?
    -Tenho algumas idéias e quero colocá-las em prática. Vejo-os mais tarde!

                  Entre a cidade e as montanhas

                  Um mechalion perfazia a distância, suportando os primeiros sinais de desgaste em seu sistema. Seu caminho jamais estaria, totalmente, aberto. Quanto mais se aproximava de Sync-on, mais via War Robots mas nenhum deles o atacava. Contrariamente, deixavam-no passar. Cruzando os limites da montanha, Orm viu grandes portões, totalmente abertos.

    -Hum... alguém me aguardava... apareça 59!

                  Das sombras, o enlouquecido mecha mostrava sua face diante do mechalion.

    -Seja bem vindo, Orm!! Há quanto tempo!!

                  Laboratório 22

                  Arman estava sofrendo sem trégua, Maximillian chegou para ajudá-lo.

    -Arman?
    -Jovem fundador... descobri algo...
    -Vamos, Arman, resista e me conte!

                  O conselheiro aponta para a tela em frente e Maximillian fica estarrecido.

    -Seres microscópicos invadirão nossa Mechapolis e estão corroendo os nossos sistemas de dentro para fora...
    -Nanomáquinas!
    -Traga o mechalion de volta, ele corre perigo!!
    -A esta hora, já deve ter chegado a Sync-on. Não há como avisá-lo. Confie em Orm, ele é muito
esperto e vai saber defender-se. Por hora, devemos encontrar uma resposta para este terror.

                  Tentando manter-se em pé, o velho conselheiro despenca, com seu sistema desativando-se.

    -Arman!! Arman!!!!!!

                  Nada mudava a situação, o conselheiro estava 'off' por completo.

    -Ele só não me contou a razão de nossa imunidade...

                  Nesse instante, o jovem fundador sente algo penetrando sua mente, mudando seu sistema. Algo forte e muito abalador, levando-o a cambalear.

    -Falei cedo demais...

                  Sync-on

    -Mas então, Orm... a que devo a visita?

                  Sem responder, o mechalion salta derrubando o Dr. 59 e subjugando-o com suas pesadas patas.

    -HaHaHaHaHa!!! Se me destruir, Mechapolis sera destruída! HaHaHaHa!!
    -Vamos fazer assim, conte-me o que fez e serei bonzinho para deixá-lo funcionando...
    -É indiferente o que vai acontecer comigo, mechalion. Desta vez, eu venci!!!

                  Orm olha a frente e vê um grande maquinário, trabalhando sem parar. Ele solta o Dr. 59 e caminha dá alguns passos.

    -O que pretende fazer? Desistir? Dr. 59 falava enquanto levantava.
    -HeHeHe! Nasci para vencer sua família, composta de maléficos mechas. Vou descobrir o que esconde, 59.

                  Correu e entrou na fábrica. Dr. 59 chama seus War Robots para detê-lo. Inicia-se a perseguição e, logo, perdem-no de vista.

    -Continuem a busca! Impossível esconder-se em meu território!!

                  As tropas voavam por toda a área, buscando nas reentrâncias... mesmo com todo empenho, o mechalion desaparecera...

    -Dr. 59, ele desapareceu.
    -Malditos War Robots! Não conseguem encontrar um ser tão grande...

                  Mal imaginava que o mechalion tinha em sua mente uma cartada bem maior...

                  Porões de Sync-on

    -Há muito tempo, roubei os planos desta fortaleza, dos sistemas de seu pai, Gannis. Supunha que seria uma informação vital. Maximillian tinha razão...

                  Descendo pelas mais escamoteadas passagens, o mechalion continua até a fonte de terminais. Algumas escadarias o separavam de seu objetivo.

    -Hum... ele modificou algumas partes da planta original. Espero que Mechapolis esteja se saindo bem, nesta hora...

                  Ruas de Mechapolis

                  Andando com dificuldades, Maximillian cambaleia pelas lotadas avenidas.

    -Jovem fundador??
    -Prossiga, D.
    -Estou aqui nos reatores e preciso de sua ajuda. Vamos redirecionar a força que nos resta, para continuar a defesa de Mechapolis.
    -Chegarei em alguns minutos...

                  D. sente a voz de Maximillian diferente.

    -Tudo bem??
    -Por enquanto, sim. Orm precisa retornar logo...
    -Envie uma posição do seu sistema.
    -Isso pode esperar. Continue o processo nos reatores. Estarei aí em alguns minutos.

                  Toda a Mechapolis estava cercada por levas e levas de War Robots que, sem piedade, aguardavam apenas uma pequena falha nas barreiras. Julie continuava firme no centro de comando.

                  Reatores principais, subsolo

    -Agora mude as chaves 101 a 252, D.!
    -Certo, estou alterando agora.
    -Perfeito! Vamos enquadrar melhor a energia do sul, usando o mapeamento UB17.
    -Entendo. Isso vai otimizar em 50% o consumo da energia no sul de Mechapolis.
    -E a outra metade, usaremos para energizar as armas das Muralhas. Quando a barreira cair, poderemos atacar com força total! Falava Julie.
    -Vamos reservar isso como nosso último recurso. Terminamos?
    -Estou acessando as soluções em que Arman vem trabalhando. Veja isso!

                  D. olha com muita atenção para sua tela.

    -Hum... explodir as barreiras. Arman tem grandes idéias, devia deixar de lado o cargo de conselheiro e desenvolver estas belezas para nossa Mechapolis.

                  Quem chega ao reator é Maximillian.

    -Precisamos de paz, D. e não de mais armas...
    -Maximillian!

                  D. levanta-se e corre para ajudar o amigo que cai.

    -Seja lá o que for, está em meu sistema também.
    -Arman disse o que podia ser?
    -Nanomáquinas...

                  E assim Maximillian tem seu sistema desligado.

    -Hum, nanomáquinas... Julie, termine os cálculos de Arman, poderemos necessitar
deste recurso antes do que imaginamos.

    -Iniciando o processo, imediatamente.

                  Porões de Sync-on

                  Depois de muito andar, Orm finalmente chega aos sistemas principais e, logo, conecta-se aos mesmos.

    -Muito bem, vamos ver quais os planos deste mecha... Hum... estrutura ínfima, com máximo poder de reprodução... nanomáquinas... hummmmm... Dr. 59 e suas idéias sempre incríveis. Lamentavel usá-las para o mal... desperdício.

                  Distraindo-se, o mechalion continuava suas descobertas sem notar o que se aproximava. Quando entendeu, foi tarde demais: teve seu corpo atirado, caindo vários metros longe. Uma imensa hydra o atacara.

    -Em todos os momentos de triunfo, meu pai encontrou um mechalion imbecil, disposto a perecer, somente para arruinar seus planos. Hoje, sua raça está, sim, extinta, restando apenas você!! Aceite o seu ciclo e desapareça da minha frente!
    -59!! grrrrrrrrrrrrrr!!!
    -Gostou deste momento, 'déjà vu'? Lembra-se deste modelo? Muito usado na época do meu pai... Gannis.
    -Jamais esqueceria tal fera, você voltou a construir estas malditas hydras!
    -Mas desta vez estão bem melhores! HaHaHaHa!! Veja você mesmo!!

                  Abrindo a imensa boca, a hydra despejava o seu terrível ácido, corroendo a parede em alguns instantes.

    -Também refiz o ácido! HaHaHaHaHa!!
    -Já descobri o que precisava! Pode ficar com sua hydra!
    -Mas jamais deixará este lugar com tal informação, aqui extinguirei o último mechalion!!! HaHaHaHaHaHaHa!
    -Somente em seus sonhos, Dr. 59!

                  Orm avistava a saída alguns metros adiante, passando pela hydra.

    -Vai tentar uma corrida?
    -HeHeHe! Não, 59! Melhor do que isso...

                  O mechalion mostrou sua força. Com um grande rugido, acionou seu sistema e concentrou um poderoso ataque. Dr. 59 abriu suas barreiras de energia tentando defender-se.

    -Esqueceu o que nós mechalions podemos fazer??!?!!?

                  Disparando uma das mais poderosas rajadas de energia, fissurando a grande abominação de aço, levando a destruição imparcial, Orm recuperou-se logo e saltou por aquele mar de ácido, atingindo a saída.

    -Preciso sair daqui antes que esse bicho se recupere. Maximillian deve ser avisado para deter essas tais nanomáquinas!

                  Deixando aquele espaço, o mechalion encontrava muitos War Robots e isso o atrasava cada vez mais. Então, resolveu ignorar os combates e concentrar o restante de suas energias para fugir daquele lugar. Logo foi encurralado pelos War Robots.

    -É, não tenho alternativa, vou 'fabricar' minha saída deste antro.

                  Enquanto a fera rosnava, mais uma vez, e preparava o seu sistema para mais um ataque, recebia uma mensagem de queda de energia de 30%.

    -Ignorar mensagem...

                  O sistema dispersava energia suficiente para deixar metade da atual mechapolis funcionando, abrindo as grossas camadas de aço e pedra das montanhas, eliminando um grupo de War Robots a sua frente.

    -Agora posso sair daqui...

                  Ganhando as planícies, o mechalion voltava velozmente para Mechapolis.

    -Julie!??!? Julie!?!?!?

                  O centro de comando mostrava-se em silêncio.

    -Vamos lá, Julie... escute-me!

                  E nenhuma resposta vinha de Mechapolis.

    -Temo pela existência de meu lar...

                  Enquanto retorna, inúmeros war Robots reaparecem e o mechalion compreende ser impossível apenas fugir dos combates. Desta forma, ele começa a eliminá-los, seletivamente.

                  Reator

                  Sem trégua D. continua o seu trabalho, focando a energia para as defesas de Mechapolis. Enquanto isso, o jovem fundador agoniza: seu sistema está sendo corrompido, por completo.

    -Orm! Está demorando! Volte logo! Temos grandes problemas aqui!

                  Quem entra no setor é a pequena Julie.

    -Meus esforços nada mais valem no centro, fixei os sistemas para manter as barreiras até a última carga de energia, D.!
    -Fez o seu melhor, Julie!

                  Ela aproxima-se de Maximillian, que está caído, sentando-se a seu lado.

    -Por que apenas nós estamos funcionando, D.?
    -Hum... este é um segredo que guardo há muito tempo, minha pequenina! Nossas estruturas foram criadas em um outro lugar...
    -A dama do tempo...?
    -Exatamente. Por esse motivo o mechalion também está funcionando.
    -A herança do tempo jamais tombaria por um mal vindo das mãos de Gannis.
    -Perfeita dedução, Julie! Dr. 59 é uma das criações de Gannis. Esta praga que assola Mechapolis vem, indiretamente, da existência do mais perverso de todos os mechas criados neste planeta: Gannis!
    -Praticamente, somos mechalions. Apenas residimos em uma forma bípede.
    -É exatamente este o fator que nos diferencia dos outros mechas: a nossa essência mechalion.
    -O jovem fundador conhece este fato?
    -Talvez... sendo o fundador de um novo tempo, de alguma forma, está conectado à dama do tempo! Falava D.

                  Interrompendo a conversa deles, toda Mechapolis sofre um grande abalo.

    -A energia começa a perecer, Julie.
    -Pouco tempo nos resta! Orm...

                  Entre a montanha e a cidade

                  Um exausto mechalion continua correndo sem parar até, finalmente, chegar a colina mais próxima. Olhando pela linha do horizonte, ele avista seu amistoso lar, sitiado por centenas de War Robots.

    -Agora, só a sorte poderá me ajudar!

                  Sem nada temer, parte para as muralhas, correndo e saltando, transpondo as barreiras de energia e caindo do outro lado.

    -Julie pensou em tudo, deixou apenas as identificações dos mechapolitanos passarem por esta barreira.

                  De imediato, abre um canal em busca de contato...

    -Maximillian??? Arman?? D.??? Julie??? Alguém ainda funciona?
    -HeHeHe! Como de costume, atrasado outra vez, Orm! Estamos na sala do reator.
    -Já chego!

                  Mais alguns quarteirões de corrida e uma longa escadaria dividia o mechalion de seu destino. Ao abrir as portas, ele encontra seu líder caído.

    -Temos uma chance de deter estas nanomáquinas!

                  O mechalion aproxima-se do sistema e conecta-se ao mesmo, mostrando todas
as informações para D. e Julie.

    -Agora tudo faz sentido! Vamos mudar a freqüência da energia deste reator para explodir as barreiras. Assim, eliminaremos dois problemas de uma só vez.
    -Mudar a energia do reator, D.? De qual modo?
    -Usando a mente do fundador.
    -Mas seu sistema ainda responde?
    -De certa forma, sim! Precisaremos de uma ponte para conectar a mente até o sistema do reator.

                  D. olha para Julie: ela senta ao lado de Maximillian.

    -Posso me conectar ao fundador...
    -Mas Julie, pode ser perigoso ao seu sistema.
    -Cada um de nós tem um objetivo. Aceito o meu...

                  D. abre seus bolsos, retira suas ferramentas e começa a abrir a blindagem de Maximillian.

    -Com cuidado, D.!
    -Estou fazendo o máximo neste momento, Orm! Prepare os sistemas, vamos conectá-los o quanto antes.

                  Removendo as primeiras placas e isolando a mente do jovem fundador, D. consegue conectar Julie àquela estrutura.

    -Agora é com você, Julie!

                  Sentindo seu corpo ficar mais leve, a pequena julie avança naquela mente corrompida pelas nanomáquinas, até atingir a essência do fundador.

    -Maximillian...
    -Uma voz?
    -Maximillian...
    -Julie?
    -Concentre-se no reator...
    -Reator??
    -Sim, reator! Vamos mudar sua freqüência! Precisamos de sua ajuda, fundador de Mechapolis!

                  Orm termina de conectar os sistemas e fica aguardando alguns segundos.

    -D...
    -O que foi?
    -Ela conseguiu, ambos os sistemas respondem. Maximillian já começou a alterar as primeiras linhas do reator.

                  Novamente um abalo sacode o lugar.

    -Espero que ele consiga, logo!

                  Os minutos passam e o tempo continua contra todos. Julie continua servindo de ponte para os sistemas. Mesmo sendo corajosa, começa a fraquejar e mostrar sinais de cansaço extremo.

    -Escuta o som dos disparos?
    -Os War Robots finalmente compreenderam que nossas energias estão no fim. Atacando nossas barreiras vão consumir mais rápido o que nos resta.
    -Vou lá fora combatê-los.
    -Nada adianta, Orm. A guerra real está nesta sala.
    -Mas o reator indica menos de cinco minutos de energia.
    -Então ainda temos cinco minutos...

                  Orm dividia sua atenção entre as telas do reator, o corpo do jovem fundador aberto com sua estrutura exposta, seus fios estendidos para todos os lados, uma jovem mecha decidida a sacrificar sua existência e um mecha confiante em mais cinco minutos.

    -É demais para a minha cabeça!

                  D. arregalou seus olhos para a tela.

    -Terminou! Rápido! Vamos mudar o processo de energia! Desça e comece a trocar as chaves! Vamos explodir as barreiras, agora!
    -Agora compreendi o plano! Perfeito!

                  Disparando do recinto, Orm corria para o andar mais abaixo e começava a mudar o chaveamento. D. gerava as últimas instruções e assim o reator usava o restante de sua energia.

                  Fora de Mechapolis, as barreiras mudam suas cores para um azul mais forte, o que faz o ataque dos War Robots parar. Sem entender, eles se aproximaram mais da barreira. Foi quando sentiram seus sistemas serem desligados. A barreira emanava ondas de energia até explodir, varrendo todos os adversários.

                  Praça

    -Meu sistema está voltando... conseguiu D.! Falava Thérèse.

                  Todos os mechapolitanos caídos agora conseguiam levantar-se. Cansados mas ainda funcionando, indagam o que acontecera com seus sistemas. Thérèse, ao ficar de pé, buscava encontrar D. mas nada via. Quando olhou para os céus, viu a energia azulada se dissipando.

    -O reator!!

                  Saiu correndo pela praça até esbarrar em Arman.

    -Eles estão no reator, Arman!
    -Imaginava isso! Venha conosco, Thérèse!

                  Arman liderava um grupo de guardas até o reator. Encontraram o corpo de Maximillian naquelas condições. Julie estava caída a seu lado. Thérèse corre, agarra sua filha e começa a chorar.

    -Julie!! Julie!! Responda, por favor.. responda!!

                  O conselheiro aproxima-se de Maximillian e vê os cabos conectados a Julie e ao reator.

    -Uma ponte entre os sistemas!

                  Então ele levantou a cabeça e avistou D. parado no comando do reator.

    -Prendam o capitão da guarda! Ordenava Arman.

                  Prontamente os guardas rendem-no. D. sai sem falar nada e Orm encontra-o na saída, aprisionado.

    -D.??? Soltem-no agora! Falava Orm, nervoso.
    -Foram ordens do conselheiro, mechalion.
    -Isso é um acinte, Arman!!
    -Deixe-os, Orm. Um dia entenderão minhas idéias, pedia D. para seu amigo mechalion.

                  Prontamente o mechalion chegou à sala do reator e encontrou Arman de pé.

    -Você estava aqui e presenciou isso, Orm?
    -Eu o ajudei em todos os momentos, ao menos desta vez, entenda as idéias dele, Arman.
    -Veja as condições do fundador! Podemos perdê-lo, também!
    -Se este for seu destino, perecer em nome do seu sonho, terá sido válido.

                  Orm se vira e sai. Thérèse carrega em seus braços sua amada filha desativada e Orm a acompanha.

                  Os dias tendem a passar de forma lenta e calma, mas logo chega o fadado
dia do capitão da guarda acertar suas contas com toda Mechapolis.

                  Tribunal

                  Um longo julgamento ponderava as atitudes do mecha, responsável pela salvação de Mechapolis mas, ao mesmo tempo, pela perda do seu fundador. Toda a assistência, que foi salva por este mecha, agora xinga e recrimina. Sentado, sem mover um dedo, D. suporta tudo.

    -Muito bem, vamos dizer qual a sua sentença, meu caro D.

                  Ele se levanta e espera seu julgador proferir a sentença.

    -No mínimo serei destruído... resmungava D.

                  Mas as portas são abertas e para a surpresa de todos, quem adentra o tribunal nada mais é que Maximillian..

    -Sua sentença será o exílio de Mechapolis.

                  D. fica surpreso de ver seu antigo amigo, chegando para salvar seus componentes.

    -Mas como? Jovem fundador?
    -Ouviram a minha ordem! Este mecha será exilado de Mechapolis! Doravante estara sob a minha responsabilidade! Guardas, tragam-no!

                  Assim, D. saiu do tribunal ladeado pelo fundador.

    -Que maluquice é esta, Maximillian?
    -Uma maneira de evitar a sua perda total. Mechapolis, um dia, compreenderá suas atitudes. Confio na palavra do mechalion!

                  Saindo pelos fundos, Orm os aguardava com um transporte pronto. Nele, Thérèse esperava seu amado D. Maximillian deixou os guardas para trás e soltou as amarras de seu amigo.

    -Preparei toda a sua fuga! Hoje vocês chegarão ao seu novo lar!

                  Todos a bordo. Orm dirigiu para fora de Mechapolis, evitando a turba que aguardava a sentença daquele mecha.

    -Onde vamos? Indagava D.
    -Para sua nova casa, meu amigo!

                  Deixando Mechapolis pelo portão do leste, Orm dirigia para a floresta de clusters. D. olhava para trás e via a estrutura de Julie.

    -Ela ainda existe?
    -Claramente! Embora seu corpo precise de muitos consertos, sua mente ficou comigo este tempo todo mas já a devolvi, para sua real existência.
    -Obrigado, Maximillian.
    -No fundo, eu que agradeço. Graças aos seus esforços, nossa Mechapolis foi salva!

                  O transporte penetra na floresta e, minutos depois, alcança uma clareira.

    -Aqui tem uma casa?
    -Mandei construir no mesmo padrão da sua, em Mechapolis. Todos os seus pertences estão aqui. Pode continuar a sua vida em paz, longe daqueles que o rejeitam.

                  Desembarcando, Orm ajuda a levar a urna onde está Julie. Thérèse acompanha, deixando D. e o fundador para trás.

    -Imaginei que tinha destruído você também, fundador.
    -Por pouco, escapamos!
    -Mechapolis não compreendeu o que eu fiz. Coloquei em risco sua existência com o fim de salvá-los.
    -Esqueça isso, D.! Aqui, poderá continuar suas pesquisas e ter sua dignidade preservada.

                  D. estende sua mão para Maximillian.

    -Quando precisar de mim, saberá onde me encontrar, fundador de Mechapolis!
    -Com certeza, D.! Orm, vamos! Antes que sintam a nossa falta.
    -O que vai dizer a todos?
    -Hum, inventarei algo no caminho de volta. Mas aqui, escondidos na floresta de clusters, jamais o acharão.

                  Maximillian e Orm adentram o transporte e partem da clareira, deixando D. sozinho. Thérèse sai de sua nova casa, aproxima-se e segura sua mão.

    -Você pode voltar a Mechapolis, Thérèse. É a mim que eles odeiam.
    -De que adianta viver, longe de você?
    -Nossa vida poderá ser mais difícil aqui. Queria algo melhor para você e Julie.
    -Enquanto estiver a seu lado, nada me faltará. Vamos, temos de consertar nossa filha Julie.

                  E desta forma, o capitão da guarda, foi morar num recanto desconhecido de toda Mechapolis. No caminho de volta, Maximillian ficou calado. Orm, do seu lado, pouco falou.

    -Vamos ter muito o que explicar.
    -Sou o fundador de um novo tempo e ninguém tem o direito de questionar as minhas decisões. Tudo que faço é pela sobrevivência de todos nós. D. é um grande mecha e logo receberá uma grande tarefa. Por isso, preciso que ele esteja funcionando até lá.

    -Suas ordens, seu destino, fundador...

                  Depois de retornar, Maximillian ficou isolado de seu próprio mundo, só pensando sobre a intriga que o tempo revelou...

                  Porém, numa noite de chuva forte, um ser corria pelas ruas de Mechapolis, buscando as sombras como refúgio. Tentava alcançar os portões do oeste. Nem imagina que esta sendo seguido de perto por outro ser. Caminhando com cuidado, finalmente cruza os portões e deixa Mechapolis para trás.

                  Do alto das muralhas, outro ser o avista.

    -Então chegou o dia: o mechalion partiu em busca do segredo escondido nas areias do deserto...